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Diap diz que PT, PCdoB e PSB aumentarão bancadas no Senado

O Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) divulgou análise em que prevê que PT, PCdoB e PSB têm boas chances de ampliar suas bancadas no Senado em 2010. A avaliação foi divulgada pelo site Congresso em Foco.

Para o diretor do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, a bancada do PT poderá passar dos atuais 11 para 16 senadores. A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel são algumas das principais apostas do partido.

O PCdoB, que tem apenas um senador, poderá eleger mais três. Já o PSB tem perspectiva de dobrar sua representação, conquistando quatro vagas na Casa.

Entre as apostas dos socialistas, destaque para a ex-governadora do RN Wilma de Faria, que disputa uma das duas vagas em jogo com os atuais senadores Garibaldi Alves Filho (PMDB) e José Agripino Maia (DEM).

A escandalização do nada

O partido da imprensa segue o roteiro pré-determinado de ataques de laboratório contra a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

A ‘Veja’ escreveu o novo capítulo da farsa do caso Lina Vieira, divulgando o factóide da agenda encontrada. A Folha repercutiu o caso ontem (18). 

Hoje (19), a Folha Online deu mais espaço ao quiprocó, destacando a opinião de senadores e deputados oposicionistas sobre a revelação da “prova” do encontro que Lina afirmou ter tido com Dilma no ano passado.

É uma forçassão de barra tão grande que a gente chega a se espantar com o amadorismo dessa turma. Leiam o trecho abaixo da matéria da Folha:

“Dilma terá de vir a público e se explicar”, disse o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN). “Está claro que a conversa sempre existiu”, declarou Pedro Simon (PMDB-RS). Outro senador, Osmar Dias (PDT), pré-candidato ao governo do Paraná, disse crer na palavra da ministra, que sempre negou a reunião com a ex-secretária. 

José Aníbal (SP), líder do PSDB na Câmara, pediu que Lina Vieira “colabore e venha a público” pessoalmente.

Na agenda que Lina diz ter encontrado, há menção a uma audiência com Dilma na página de 9 de outubro de 2008. Nessa data, há de fato registro no Planalto da entrada de Lina.”

Dilma vir a público se explicar? Agripino inverteu o princípio básico da prerrogativa da inocência. O ônus da prova cabe a quem acusa. Assim, quem tem que vir a público se explicar é Lina, em vez de disparar factóides na imprensa através do misterioso amigo, que ninguém sabe se existe mesmo.

Pedro Simon deveria ganhar um prêmio pela capacidade de produzir truísmos. A sentença do velho caudilho é um petardo capaz de acabar com os planos políticos da ministra: “Está claro que a conversa sempre existiu”.

Mas o próprio governo, há dois meses, não havia divulgado o registro da audiência da ex-secretária com a ministra nesta data — 9 de outubro de 2008?! Tanto que a Folha confirma: “Nessa data, há de fato registro no Planalto da entrada de Lina.”

O que a Folha não deixa claro aos seus leitores é algo que o blog já observou nos outros posts: 1) A audiência não foi “sigilosa” — o que é comprovado pelo registro do Palácio do Planalto; 2) A pauta da audiência não foi as investigações sobre a família Sarney, mas sim o Fórum CEOS, conforme revelado pelo senador Aloizio Mercadante e confirmado pela própria Lina Vieira, em depoimento à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, no dia 18 de agosto do ano passado.

Apesar dos fatos comprovarem a farsa, a imprensa a serviço dos tucanos insiste na escandalização do nada.

Internet: liberdade venceu censura

Fracassou a tentativa de restringir a liberdade na internet. Os senadores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Marco Maciel (DEM-PE), relatores do projeto da reforma eleitoral, queriam limitar a cobertura jornalística durante as eleições. Tiveram que voltar atrás na idéia estapafúrdia. O Senado terminou de votar a reforma ontem (15) e derrubou todas as restrições à rede.

Pelo texto aprovado, fica liberada a propaganda na internet para os candidatos a presidente. Os sites jornalísticos, blogs, entre outros, não serão mais obrigados a cumprir – como constava na proposta original – as mesmas regras dos veículos impressos.

Prevaleceu o bo senso e os senadores se deram conta que não dá pra controlar o fluxo de informações nem o direito de opinião e crítica que se propaga pela grande rede.

A moral tucana

Os tucanos são uma espécie esquisita de políticos. Governaram o Brasil por oito anos, levaram o país à falência e protagonizaram inúmeros escândalos de corrupção. Mas depois que se mudaram para a planície deletaram o passado podre da memória e começaram a se comportar como se fossem o exemplo perfeito da ética na política. Já vimos esse filminho antes.

O PIG, saudoso dos tempos do governo do príncipe dos sociólogos, ajudou a promover a farsa e transformar essa turma em guardiões da moralidade. Assim, repentinamente, passaram de vilões a heróis.

De vez em quando vejo tucanos fazendo discursos indignados na TV contra a corrupção e morro de rir com a pantomima moralista que insistem em encenar.

Há pouco tempo os tucanos lideraram uma cruzada contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), aliado de outrora, posteriormente convertido em demônio após atracar na base lulista. 

Sarney, o incomum, foi acusado de se beneficiar dos atos secretos para nomear parentes. Era Agaciel Maia, ex-diretor geral do Senado, quem comandava a farra dos atos secretos. Agaciel terminou afastado do cargo e ainda corre o risco de ser demitido por causa do escândalo.

Os tucanos, capitaneados pelo senador Arthur Virgílio (AM), vociferaram contra o ex-diretor. Mas rapidinho começaram a surgir as primeiras provas da relação de Agaciel Maia com a tucagem. O próprio Virgílio recorreu a Agaciel para pedir um empréstimo quando se viu em apuros durante uma viagem ao exterior. A máscara do paladino amazonense começou a cair neste momento.

Mas não é só Virgílio que tem ou tinha ligação com Agaciel. O senador Papaléo Paes (PSDB-AP) disse ontem (3) que iria requisitar a transferência de Sânzia Maia, mulher de Agaciel, atualmente locada na gráfica do Senado, para seu gabinete. Papaléo justificou a intenção dizendo que se tratava de um “ato de humanidade”.

O danado é que Papaléo, o bom, foi incompreendido e a notícia repercutiu negativamente. Os tucanos fizeram aquele ar blasé bem peculiar, seguido de declarações ensaiadas de reprovação ao pedido do companheiro de legenda  e, finalmente, convenceram Sânzia a desistir da transferência.

Pode parecer que o epidódio não passou de uma trapalhada de Papaléo, mas, na verdade, serviu pra mostrar como o discurso dos tucanos durante a crise no Senado era fingido.

Papaléo achou que todo mundo já havia esquecido a lama que correu por lá e botou as unhas de fora para ajudar, vejam só, a mulher do grande articulador dos atos secretos e envolvido em várias denúncias – além de editar os famigerados atos secretos, descobriu-se que Agaciel Maia mantinha um bunker no Senado, onde foram encontrados DVDs e revistas com conteúdo pornô e gel lubrificante.

Definitivamente, a moral tucana é bem difícil de se entender.

Agripino passa cada vergonha…

O senador José Agripino (DEM-RN) é aquele que quis dar uma de escroto, mas saiu com o rabo entre as pernas quando disse, numa sessão da Comissão de Infra-Estrutura do Senado, em maio do ano passado, que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) havia mentido na época da ditadura militar.

Teve que ouvir a ministra dizer: “Nós estávamos em lados diferentes naquela época, senador“. Dilma lutou contra a ditadura. Agripino serviu ao regime dos generais com devoção canina e chegou a ser nomeado prefeito biônico de Natal.

Agripino é um político arcaico, coronelista e anti-democrático. Na década de 1980, protagonizou o escândalo do “rabo-de-palha”, quando tentou fraudar as eleições na capital potiguar comprando o voto dos pobres “com uma feirazinha, com um enxoval, com umas coisinhas“, conforme revelado por gravações daquela época.

O líder dos demos é conhecido pelo estilo autoritário, arrogante e falastrão. Agripino é capaz dos maiores truismos, mas se acha um gênio por isso. Fora os babões que vivem ao seu redor ninguém o leva a sério.

Mas quando a gente pensa que Jajá atingiu o clímax, o senador vem e nos surpreende. Ao discursar nesta quarta (2) no plenário do Senado sobre as novas regras do pré-sal, ele se saiu com a seguinte jóia:

Qual é o meu receio? É que se esteja agora anunciando um novo marco regulatório que troca as concessões por uma lei de partilha, partilha que significa a volta à ingerência do Estado, que o presidente Lula, justifica. Tenho receio muito forte porque o pré-sal que está descoberto e meio quantificado em uma extensão de 800 km por 200 km de largura, do Espírito Santo a Santa Catarina, não é privilégio apenas do Brasil. Tenho informações de que há pré-sal nas costas de Angola.

Alguém entendeu o que ele quis dizer com isso? Nem eu.

É por essas e outras que digo que ninguém leva Agripino a sério. Jajá não cansa de passar vergonha.

O homem limpo do DEM

Marco MacielA Carta Capital traz uma matéria interessante com o perfil do senador Marco Maciel (DEM-PE), ex-vice presidente da República, conhecido, segundo a revista, pela “reputação bem cultivada de conservador honesto”.

Leia abaixo trecho da matéria de Cynara Menezes:

 

O impermeável limpo

 

O rapaz engravatado, já nem tão rapaz assim, que abastece os senhores senadores a cada cinco minutos com providenciais copos orvalhados para refrescar as gargantas de suas excelências depois de tanto discursório na tribuna, é proibido de falar com repórteres. Mas, no fundo do plenário, ele cochicha:

– Uma das cenas mais impressionantes que já vi aqui foi uma vez que o finado senador Antonio Carlos Magalhães bateu a mão num copo e a água voou. O Marco Maciel, que estava do lado, deu três pulinhos para trás e não caiu nem uma gotinha no paletó dele.

É realmente de cair o queixo a habilidade de malabarista do senador do DEM em se manter limpo. Em plena crise no Senado, o magérrimo Maciel não viu resvalar sobre si nada que pudesse manchar a reputação bem cultivada de conservador honesto. Enquanto seus pares à destra e à sinistra eram enredados nos escândalos com uma viagenzinha ao exterior aqui, um neto empregado acolá, Maciel saltitava com seus passos lépidos pelos corredores da Casa. Imaculado.

Para fazer justiça ao pernambucano, é preciso dizer que sempre foi assim, desde que o ex-PFL ainda se chamava Arena. Poucos políticos podem se gabar de terem passado pela história contemporânea do Brasil, sempre de mãos dadas com o poder, menos agora, e permanecer com elas aparentemente como entrou, vazias. O maranhense José Sarney, de trajetória semelhante, que o diga. “Ninguém encontrará uma só fazenda no nome de Maciel. Nem uma só empresa onde apareça como sócio”, desafia um conterrâneo seu.

Com 50 anos de vida pública, iniciada no movimento estudantil, o único patrimônio visível do atual senador, ex-governador biônico, deputado federal e vice-presidente da República é um apartamento num edifício antigo em frente ao mar de Boa Viagem, no Recife. Espécie de monge do Parlamento, o catolicíssimo senador (há quem diga que simpatizante do Opus Dei) costuma falar que aprendeu com o pai, José do Rego Maciel, duas vezes deputado federal e prefeito do Recife, a exercer a política como “ação missionária”.

Leia a íntegra da matéria aqui.

As muitas versões de Lina Vieira

A ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, confirmou hoje (18), em depoimento na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o polêmico encontro com a ministra Dilma Rousseff, no final do ano passado, quando a chefe da Casa Civil teria pedido a então comandandte do fisco para “agilizar” as investigações envolvendo empresas da família Sarney.

Esse foi o único ponto que Lina sustentou até o fim, sem titubear, mesmo não apresentando nenhuma prova do suposto encontro – nem ao menos lembrar a data e a hora da reunião secreta.

Desde que deu a controversa entrevista à Folha de São Paulo (09/08), Lina contou versões diferentes para a mesma história.

Ao jornal, a ex-secretária disse que interpretou o hipotético pedido de Dilma para “agilizar” as investigações com um recado para “encerrar” o caso. Para Lina, o pedido era motivado pela eleição no Senado.

Estava no processo de eleição do Senado, acho que não queriam problema com Sarney“, declarou.

Interrogada pelos senadores, Lina mudou a versão: negou que tivesse sido pressonada pela ministra, declarou que o pedido de Dilma foi apenas para “dar encaminhamento célere” às investigações e afirmou que a chefe da Casa Civil, em nenhum momento, mencionara a eleição no Senado durante a conversa.

O senador Aloízio Mercadante (PT-SP) observou que Lina, claramente, caíra em contradição. Lina disse uma coisa à Folha de São Paulo (“Interpretei o pedido da ministra para encerrar as investigações“) e outra à CCJ (“Entendi o pedido da ministra no sentido de dar encaminhamento célere às investigações. Não me senti pressionada. Não houve motivação política no pedido“).

Portanto, em uma das situações estava mentindo. Mercadante lembrou que, se o encontro tivesse realmente ocorrido e a ministra tivesse tentado interferir nas investigações da Receita Federal, “Dilma teria cometido um crime“. Mas Lina teria cometido “prevaricação“, continuou o petista, por não haver denunciado a interferência indevida aos seus superiores.

Nós só temos duas alternativas aqui: a senhora prevaricou ou não está falando a verdade”, declarou o senador de São Paulo.

Lina negou a prevaricação, mas não explicou por que não tornou o episódio público antes de ser exonerada da Receita Federal.

Pressionada, Lina admitiu não se lembrar do mês, do dia nem mesmo da hora do encontro na Casa Civil. Justificou o esquecimento dizendo que o encontro não estava registrado em sua agenda oficial. Depois, disse que era possível que houvesse algum registro em sua agenda pessoal, mas ponderou que estava de mudança e não conseguira, ainda, localizar o caderno particular.

À Folha, Lina descreveu a roupa que a ministra vestia no dia do encontro: “Estava com um xale, por cima de uma blusa, de óculos. Não estava, assim, de terninho.

Mercadante quis saber se Lina lembrava da roupa que a ministra usava em outras reuniões em que a ex-secretára da RF esteve presente. Lina respondeu que não lembrava.

Mercadante insistiu: “Mas a senhora só lembra da roupa que a ministra usava especificamente nesse dia? Não lembra a data do suposto encontro, mas descreve em detalhes a roupa que a ministra usava“.

Lina fez de conta que não era com ela.

A audiência na CCJ terminou, Lina não conseguiu provar o encontro e saiu desacreditada após as inexplicáveis mudanças de discurso.

Lendo as entrelinhas

A Folha de São Paulo deste domingo (16) traz os números da nova pesquisa Datafolha sobre a intenção de voto dos brasileiros para a eleição presidencial de 2010.

Os dados do levantamento são os seguintes:

José Serra (PSDB): 37% (eram 38% na pesquisa anterior)

Dilma Rousseff (PT): 16%

Ciro Gomes (PSB): 15%

Marina Silva (PT): 3%

Esse é o principal cenário pesquisado. Os números variam quando Serra é substituído pelo governador mineiro Aécio Neves (PSDB), que chega a 20% no cenário sem Ciro. Neste caso, Dilma e Heloísa Helena (PSOL) registram o mesmo percentual: 24%.

Interessante é como a Folha joga confete para Serra e diminui a importância de Dilma. Na Folha Online, o índice de Dilma é anunciado como se fosse um vexame: 

Presença constante com o presidente Lula em eventos pelo país, Dilma manteve 16% e está tecnicamente empatada com o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), com 15%.

A Folha deveria aplicar a mesma lógica ao tucano José Serra. O governador de São Paulo tem feito incursões agressivas na mídia, principalmente via publicidade estatal em rede nacional, como no caso da Sabesp. Serra contou ainda com uma generosa superexposição televisiva, especialmente nos telejornais e programas de entretenimento da Globo. No Jornal Nacional, muita serpentina para a lei anti-fumo. Serra também foi convidado único do Programa do Jô, onde vendeu seu peixe à vontade. Apesar dessa presença ostensiva na mídia, Serra caiu 1% na nova rodada de pesquisas Datafolha. Isso sim é um vexame.

Dilma, por sua vez, está na mira do PIG desde que foi elevada à condição de pré-candidata petista. O sensacionalismo descarado da repercusão do episódio da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, como tentativa de associar a ministra a um desgastadíssimo José Sarney, é a nova estratégia da campanha para desgastar Dilma Rousseff. Apesar desse tratamento desfavorável, a ministra se manteve com 16%. Não é pouca coisa.

A pesquisa também apontou que a popularidade do governo Lula continua na estratosfera. De acordo com o Datafolha, o governo petista é avaliado como ótimo/bom por 67% dos entrevistados (eram 69% antes). Enquanto isso, 25% acham o governo regular. Apenas 8% classificam a administração de Lula como ruim/péssima.

A Folha observa que o presidente manteve os excelentes índices de aprovação apesar da “mais nova crise política nacional“. Mas, até onde sei, a crise se passa no Senado, não na Alvorada. O que a Folha pretende ao tentar induzir os leitores a culparem Lula pelo que ocorre no Senado?

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