Embolando Palavras

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Folha publica comentário preconceituoso contra nordestinos

Uma pequena matéria postada no site da Folha.com, sobre o desafio que o ex-presidente FHC fez ao seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, convidando-o a disputar outra eleição contra ele, rendeu quase 1200 comentários. Em entrevista a um programa de rádio, FHC mandou o seguinte recado para Lula: “Ele se esquece que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo.

O devaneio de FHC, porém, tem pouca — para não dizer nenhuma — importância. O que despertou minha atenção e indignação foi o comentário de um leitor, identificado como Ivo Antonio, prontamente publicado pela Folha.com.

Eleitor declarado do tucano, Ivo se referiu aos nordestinos, em tom pejorativo, como aqueles que “tem (sic) como prato preferido farinha e de sobremesa rapadura” e completou afirmando que, se os moradores dessa região não pudessem votar, FHC derrotaria Lula.

SE OS QUE TEM COMO PRATO PREFERIDO FARINHA E DE SOBREMESA RAPADURA. NAO PODER VOTAR. E CONTAR MENTIRA.(onde o molusco e imbativel) ABRO APOSTO E DOU 2 POR 1 A FAVOR DO FHC“, escreveu o leitor, que, como se vê, não domina bem as normas gramaticais.

O comentário reflete o velho preconceito que vigora em camadas do Sul e do Sudeste do Brasil contra os habitantes do Norte e do Nordeste. Ele não citou os nordestinos, mas ao mencionar a farinha e a rapadura, dois ingredientes muito usados na culinária regional, deixou explícito a quem estava se referindo.

Particularmente, não considero ofensa ser chamado de comedor de farinha ou de rapadura. Tenho orgulho da minha condição de nordestino, da herança cultural dessa terra e da capacidade de resistência desse povo historicamente esquecido. Não custa lembrar as sábias palavras de Euclides da Cunha, segundo quem “O sertanejo é, antes de tudo, um forte“.

Mas o comentário do leitor da Folha.com nada tem a ver com o reconhecimento da riqueza cultural dos nordestinos — o que inclui os elementos da nossa culinária, com seus cheiros e sabores apreciados por gente do mundo inteiro. Ele destilou preconceito em cada palavra. É o típico pensamento de setores do Sul e do Sudeste que se julgam superiores aos habitantes das demais regiões do país.

Na eleição de 2010, esse pensamento aflorou com força. Inconformados com a derrota de José Serra (PSDB), os conservadores propagaram a falsa tese de que Dilma Rousseff (PT) só teria sido eleita em função dos votos do Norte e do Nordeste. Mas um levantamento com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou que a petista derrotaria o tucano mesmo se fossem computados apenas os votos do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

A xenofobia da elite e da classe média burguesa do Sul e do Sudeste contra os nordestinos não é novidade. Em São Paulo, há um movimento batizado de “SP para Paulistas” que, em manisfesto na internet, defende, entre outros pontos, limites à migração nordestina.

Uma das integrantes do movimento, a estudante de Direito Mayara Petrusco declarou no Twitter, logo após a vitória de Dilma, que “nordestino não é gente, faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado“. A declaração lhe rendeu  uma denúncia junto ao Ministério Público Federal, apresentada pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Pernambuco (OAB-PE). Para a entidade, o ato configurava os crimes de racismo e de incitação pública à pratica delituosa, no caso, homicídio.

Outra integrante do movimento, a atendente de suporte técnico Fabiana Pereira, 35 anos, afirmou que “São Paulo sustenta o Bolsa Família”, o que, em sua opinião, contribui para atrair nordestinos para a cidade. “São Paulo sustenta e eles (nordestinos) decidem quem vai nos governar”, declarou a jovem, em entrevista à Terra Magazine.

O próprio José Serra, quando era governador de São Paulo, em entrevista ao SP TV da Rede Globo, chegou a culpar os migrantes nordestinos pela baixa qualidade de ensino em seu Estado.

É lamentável que isso ainda ocorra no Brasil. É igualmente lamentável que políticos utilizem deste artifício para conquistar votos. Mas é ainda mais triste que veículos como a Folha abram espaço para esses xenófobos exalarem seu preconceito.

Wikileaks e as eleições de 2010: as vísceras do jornalismo do PIG

Com informações dos blogs Gonzum e Maria Frô

Documentos vazados pelo Wikileaks, sobre as eleições 2010, revelaram que o então candidato tucano José Serra apostava suas fichas em Marina Silva (PV) para ser sua vice e ajudá-lo a derrotar Dilma Rousseff (PT). A informação foi repassada ao cônsul americano pelo colunista da Veja, Diogo Mainardi, que lhe contou sobre uma conversa que teve com o ex-governador de São Paulo.

Com base nas informações de Mainardi, o cônsul americano afirma que José Serra pediria a Marina Silva para ser a vice dele. Diante da improbabilidade disso acontecer, o tucano esperava o apoio dela no segundo turno da eleição de 2010.

Na mesma nota, o diplomata americano conta que, durante um almoço, Mainardi lhe revelou que escreveu um artigo na Veja defendendo a chapa Serra / Marina depois que o tucano lhe disse que a verde era a “companheira de chapa de seus sonhos”.

Na coluna em questão, Mainardi batizou a dobradinha Serra / Marina de “chapa cabocla”. “Uma chapa formada por José Serra e Marina Silva embaralharia a campanha de 2010, pegando o PT no contrapé e enterrando de vez a desastrada candidatura de Dilma Rousseff”, escreveu o colunista.

Apesar da defesa da “chapa cabocla”, Mainardi confessou ao cônsul que não acreditava na sua concretização. Para o colunista, Marina estava “interessada em fixar sua própria credibilidade, concorrendo, ela mesma, à presidência.

Em plano mais realista, Mainardi disse ao cônsul que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, lhe dissera, no início desse mês, que permanecia “completamente aberto” à possibilidade de concorrer como candidato a vice na chapa de José Serra“, diz trecho da nota vazada pelo Wikileaks.

A opinião de Mainardi era compartilhada pelo colunista d’OGlobo, Merval Pereira, que, em encontro no dia 21 de janeiro, disse ao cônsul dos EUA no Rio de Janeiro que o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), estaria disposto a “fazer tudo” para ajudar José Serra, inclusive ser seu vice.

Merval disse acreditar que “não só [Aécio] Neves aceitará ser vice-presidente de Serra, mas também que Marina Silva apoiaria Serra num eventual segundo turno.

Como se sabe, tanto as análises de Mainardi, chamado de “renomado colunista político”, como as previsões de Merval Pereira revelaram-se enormes furadas. O problema é que, ao confundir análise com torcida, os dois colunistas do PIG passaram por cima dos fatos e se apegaram à ilusão de que suas hipóteses virariam verdade por inércia.

A promiscuidade entre a velha imprensa e a direita tucana não é novidade. Além dos delírios de José Serra, o documento do Wikileaks expôs as vísceras do jornalismo praticado pela grande mídia.

Ao emprestarem suas páginas para Mainardi e Merval repassarem os recados ditados pelo tucano, Veja e O Globo trocaram a fantasia da imparcialidade pelas vestes da subserviência.

Serra, o homem bom, cortou verba da saúde no RN

O ‘Embolando’ resolveu investigar por que Rosalba Ciarlini (DEM) está escondendo o apoio dela a José Serra (PSDB). No dia 9 de 0utubro de 1999, quando era ministro da Saúde de FHC, Serra suspendeu o repasse de recursos do PAB (Piso de Atenção Básica) para 135 municípios de todo o país – nove dos quais do Rio Grande do Norte.

Isso, talvez, ajude a explicar a razão da rejeição de Rosalba ao candidato tucano ao Planalto. José Serra, o homem bom, aquele que se auto-proclamou como o político que mais fez pelo Nordeste, cortou verbas da saúde no Rio Grande do Norte!!!

Caso alguém duvide da informação, basta pesquisar no “Diário de Natal” do dia 9/10/1999.

Cartaz de Rosalba e Serra provoca polêmica

O cartaz com a senadora Rosalba Ciarlini (DEM) e o candidato do PSDB ao Planalto, José Serra, provovou uma onda de reações indignadas no front dos ‘demos’ e na blogosfera do RN.

A assessoria de imprensa da candidata democrata se apressou em negar a autoria da peça, insinuou que o episódio era obra dos adversários e desmentiu que Rosalba esteja tentando esconder o apoio dela a José Serra.

Os protestos não pararam por aí. Laurita Arruda, uma das blogueiras mais badaladas da província, disse que o material “fake” era um golpe “abaixo da linha da cintura”.

O professor e jornalista Ricardo Rosado chamou o caso de “jogo sujo” e “artimanha desonesta”. Para Rosado, o cartaz é da lavra de algum “canalha desocupado”.

Não entendi a razão para tanto stress. Rosalba, até onde se sabe, apoia José Serra. Então, o que há de errado com o cartaz?! Falar em “jogo sujo” e golpe “abaixo da linha da cintura” é pura forçação de barra.

A própria Rosalba, ao se referir a José Serra como “meu candidato”, sem citar o nome dele, alimentou as especulações sobre a suposta operação para esconder o apoio ao tucano. A peça com os dois não contém nenhuma mentira. Não há, portanto, razão para essa reação desproporcional.

Além disso, o episódio serviu para dar a Rosalba a chance de deixar claro aos eleitores do Rio Grande do Norte que o palanque dela é o do Serra. É que os potiguares andavam meio confusos com os elogios que a democrata e o senador José Agripino vinham fazendo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem passaram os últimos anos combatendo ferrenhamente.

Twitter vira divã para tucanos e democratas

Na Terra Magazine, Cláudio Leal resume a tragicomédia protagonizada pelos tucanos e democratas, tendo como pano de fundo o impasse sobre a escolha do vice do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra.

A ópera mambembe que provocou uma crise inédita no “casamento” entre PSDB e DEM teve a contribuição decisiva de um malandro bufão: o presidente nacional do PTB e deputado federal cassado Roberto Jefferson.

Ao anunciar pelo Twitter que o vice de José Serra seria o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), Jefferson ajugou a jogar a candidatura tucana numa crise de dimensões ainda imprevisíveis.

Numa narrativa leve, Cláudio Leal conta passo a passo como o microblog virou divã para tucanos e democratas discutirem a relação — com direito a intervenções poéticas de Roberto Jefferson a vociferar, talvez fazendo as vezes de “id personificado” dos tucanos, contra os democratas: “O DEM é uma merda!!!”.

Leia aqui o retrospecto da troca de afagos entre os próceres do PSDB e do DEM no Twitter.

Agora vai: PSDB convoca FHC para resolver impasse com o DEM

Deu na Folha.com:

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi chamado nesta terça-feira para participar da reunião com o comando do DEM, que discute uma solução para o impasse em torno do nome do vice na chapa do tucano José Serra ao Planalto.

O DEM ficou insatisfeito com o papel de coadjuvante que lhe foi imposto, já que PSDB escolheu um vice tucano, o senador Álvaro Dias (PR), em detrimento de um democrata. FHC participará do encontro acompanhado do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e do candidato ao Senado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB).

Como FHC estava em viagem ao exterior, ele ainda está se interando da situação para a reunião, que ocorre na véspera da convenção nacional do DEM. O ex-presidente acredita numa solução para o impasse, embora ainda não tenha uma engenharia para o caso.

Segundo a coluna de Mônica Bergamo, FHC confidenciou a um interlocutor de sua mais absoluta confiança recentemente que tem sérias dúvidas sobre a possibilidade de Serra vencer a eleição presidencial.

Eleições, Shakespeare, Cascudo

As folhinhas do calendário passaram numa velocidade surpreendente até aqui. Estamos há apenas três meses das eleições que vão escolher o novo presidente do Brasil, governadores, senadores e deputados estaduais e federais. É verdade que enquanto a Copa do Mundo rola nos campos da África do Sul, pouca  gente quer saber de política, eleições e candidatos. Mas, mesmo com todas as atenções voltadas para a seleção do Dunga, o jogo da luta pelo poder continua a ser jogado diariamente.

O desfecho deste enredo só será conhecido em 3 de outubro, talvez um pouco depois, se houver segundo turno. Mas os primeiros atos dessa história com inspiração shakespeariana (vide a tragédia “Rei Lear”) foram e continuam sendo encenados sem intervalo.

No plano nacional, o confronto entre Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) representa mais que a prosaica disputa para saber quem sucederá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Planalto.

Como disse Emir Sader, as eleições vão definir se o governo petista foi uma exceção, um parêntese no modelo neoliberal, ou a sinalização para um novo modelo de sociedade, com foco nas questões sociais (leia-se distribuição de renda e combate à miséria) e com o Estado exercendo a função de protagonista do desenvolvimento.

Já aqui na província de Cascudo, a eleição se aproxima sem que os candidatos tenham dito ainda a que vieram. Por enquanto, ocupam-se com pantomimas  sem graça, que só servem para encher as páginas de blogs ainda mais sem graça, alinhados com um ou outro lado.

Neste Rio Grande do Norte, prevalecem ainda as pequenas ideias, as nulidades intelectuais e o silêncio cúmplice com os absurdos cometidos pelos mandatários de plantão.

Para quem vão os votos de Ciro?

Por Maurício Dias (Carta Capital /Coluna Rosa dos Ventos):

Votos de Ciro Gomes tendem a favorecer Dilma, diz especialista

A retirada da pré-candidatura do Deputado Ciro Gomes à Presidência da República consolida uma pergunta que já rondava o debate sobre a sucessão presidencial: para onde escoarão os votos do eleitor de Ciro? Para Serra ou para Dilma?

Na terça-feira 27, o PSB defenestrou Ciro Gomes. A Executiva do partido decidiu, por 11 votos contra 2, que os socialistas não teriam candidatura própria à Presidência da República. Mas, além desse fator, sem a presença de Ciro Gomes na competição, cresce a possibilidade de a eleição de outubro ser definida no primeiro turno. Um resultado possível em eleição polarizada, entre petistas e tucanos, e ainda com forte viés plebiscitário como será a de outubro.

Nesse ambiente inteiramente polarizado,a oposição e a imprensa que a vocaliza reagiram à decisão do PSB de retirar o nome de Ciro do páreo e, principalmente, contra a decisão de consolidar o apoio à candidata governista.

O que será dos votos de Ciro? O cientista político Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus, responde à pergunta assim: “os votos de Ciro Gomes vão mais para Dilma Rousseff do que para José Serra. Em dados gerais, pelos nossos cruzamentos, 50% vão para a candidata do PT e 30% para o candidato do PSDB.”

Para ele, os 20% restantes seriam redistribuídos igualmente entre Marina Silva, do PV, e os indecisos.

“Se considerarmos as proporções para Dilma e para Serra, temos 65% dos votos indo para ela e 35% para ele”, diz Guedes.

A lógica do raciocínio de Ricardo Guedes baseia-se no princípio do que ele considera “pacto do tipo social-democrata europeu”, que teria se formado no Brasil. Ou seja, “a esquerda passa a ser institucionalizada, e a direita cede para programas sociais”.

Os votos de Ciro Gomes favoreceriam, assim, Dilma Rousseff por estar na posição de centro-esquerda do especto político.

Guedes lembra que o eleitor de Marina Silva, o terceiro nome da disputa com potencial de voto pequeno, mas possivelmente decisivo, pode vir a fazer voto útil em Dilma, na reta final das eleições. Isso ocorreu com a ex-senadora Heloísa Helena, do PSOL, nas eleições presidenciais de 2006. Ela chegou a ter 15% das intenções de voto (um número muito próximo ao porcentual máximo atingido por Ciro nas pesquisas de 2009) e terminou com 5%.

Guedes afirma que o voto dela “fluiu para Lula”.

O nome de Plínio de Arruda Sampaio, recentemente definido como pré-candidato do PSOL, ainda não foi incluído nas pesquisas.

Ricardo Guedes engrossa o coro daqueles que acham possível (como já falou João Francisco Meira, do Vox Populi), a eleição ser decidida pela via rápida, em apenas um turno. A favor da candidata do PT.

As condições econômicas e sociais favorecem a candidatura de Dilma Rousseff, que expressa o voto na continuidade, estando a oposição com dificuldades de formular um projeto alternativo para o País. Com a tendência de maior conhecimento de Dilma, as intenções de voto permanecerão equilibradas até o início do período eleitoral, com os programas eleitorais nos meios de comunicação e os debates”.

Ao contrário do que se esperava, a questão ambiental não tomou conta dos debates. Isso projeta dificuldades para Marina manter um porcentual de votos acima de um dígito. A pesquisa Ibope, mais recente, indicou que 10% dos eleitores votariam nela se a eleição fosse hoje.

Os debates, segundo Guedes, serão fundamentais para a alteração, ou não, dessas tendências. Ele acredita que, como ocorreu com a candidatura de Heloísa Helena nas eleições passadas, parte do eleitorado de Marina Silva pode vir a fazer o voto útil. Enviado pelo amigo Amorim de São Paulo.

A herança do governo Serra

Manchete da Folha de São Paulo deste sábado: “Homicídios crescem 23% em São Paulo“.

De acordo com a matéria, “foram mortas 376 pessoas nesse período –mais de quatro por dia. Foram 1.224 homicídios em todo o Estado –alta de 7%.

José Serra, pré-candidato do PSDB ao Planalto, governou São Paulo até 31 de março deste ano. Quando esteve em Natal duas semanas atrás, o tucano disse que o governo federal precisava “se jogar na segurança pública”.

No início desta semana, o ex-governador disse que, eleito presidente, criaria o Ministério da Segurança.

José Serra só esqueceu de explicar por que não deu um jeito na violência em São Paulo.

O “Dia D” de Serra

Serra sagrou-se candidato do PSDB. No mesmo dia, Dilma encontrou-se com sindicalistas.

José Serra, enfim, deixou a exitação para trás e assumiu a candidatura à Presidência da República. Esta é a segunda tentativa do tucano. A primeira foi em 2002, quando perdeu as eleições para o agora presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Neste ano, o espectro de Lula promete continuar assustando Serra. Pela primeira vez desde a redemocratização do país, Lula não será candidato, mas deverá participar ativamente da eleição. O presidente quer transformar a própria sucessão num plebiscito entre o seu governo e o governo do ex-presidente FHC, o guru do tucanato. Lula não medirá esforços para fazer da sua escolhida, a ex-ministra Dilma Rousseff, a primeira mulher a governar o Brasil.

Mas, voltemos a José Serra. O ex-governador de São Paulo vai mesmo comandar a tropa da oposição em 2010. No discurso que fez durante o lançamento da candidatura, ontem pela manhã em Brasília, Serra lançou o bordão que vai usar na campanha ( “O Brasil pode mais” ), repetiu velhos clichês da direita e tentou transmitir a imagem de grande conciliador nacional.

“O Brasil pode mais” parece ser a saída encontrada pelos marqueteiros tucanos para solucionar o problema da falta de discurso da oposição. É uma nova embalagem para um velho clichê: “continuar o que está dando certo, mas mudar o que está dando errado”.

O Chapeleiro Maluco da “Veja”, num tom meio envergonhado, inventou até uma justificativa para do PSDB: “o tucano reconhece e incorpora os avanços havidos no governo Lula — que ele inclui numa trajetória de conquistas dos últimos 25 anos — e diz ser preciso ir além”. Perceberam que agora, com a proximidade da eleição, eles admitem que houve “avanços no governo Lula”?!

O que Serra precisa dizer, sem embromação, é como ele vai fazer o país “ir além”. Ele vai repetir a política de juros estratosféricos, arrocho salarial, elevação de impostos, cortes em programas sociais, ausência de crédito, desemprego e privatizações do governo FHC?!

“O Brasil pode mais” nada mais é que uma tentativa dissimulada se livrar da carapuça anti-Lula, que a oposição vestiu durante esses mais de sete anos de governo petista. Invocado assim, como num passe de mágica, a frase pretende vender um conceito inovador, quando não passa do mais puro prosaicismo.

Serra pregou que o país poderia crescer mais se resolvesse os gargalos na infraestrutura. No discurso fica bonito, mas antes de prometer mais crescimento, o tucano deveria dizer, para acabar com qualquer dúvida, se vai mesmo acabar com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como disse o senador José Guerra (CE), presidente nacional do PSDB, em entrevista à “Veja”.

O tucano fez menção aos programas sociais do governo Lula, com destaque para o “Bolsa Família”, dizendo que é tudo herança do governo FHC. É um discurso confuso, porque a oposição sempre criticou esses programas, classificando-os como “eleitoreiros”. Agora, reivindicam a paternidade das ações e prometem mantê-las. Então, vão continuar com os mesmo programas “eleitoreiros”?

Em outro momento, Serra invocou o tema da justiça, pregou o cumprimento da lei e protestou contra a impunidade. O discurso da moralidade, da ética e da justiça, definitivamente, não cai bem a nenhum tucano. Uma folheada rápida nas páginas da história recente do governo FHC e dos governos estaduais tucanos causaria constrangimentos à turma de plumagem colorida. Serra sabe disso, mas insiste na mesma bravata, apostando na memória curta da população.

Finalmente, Serra quis se mostrar como conciliador, como líder capaz de unificar a nação dividida pelo sectarismo lulo-petista. “Não aceito o raciocínio do nós contra eles. Não cabe na vida de uma Nação. Somos todos irmãos na pátria. Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão“, anunciou, em tom profético.

Pode haver discurso mais direitista? Nada mais conservador que tentar esconder a luta de classes, o abismo social que nos separa, a injustiça que fazer de uns mais cidadãos que outros. Cito Miguel do Rosário: “O PSDB está ao lado dos ricos, mas como não pode afirmar isso, então diz que não tem lado, que estará ao lado de todos. Não é assim, Serra. Os ricos não precisam de apoio governamental. Quem precisa são os pobres. Isso demarca quem está ao lado da maioria do povo brasileiro, que é ainda muito pobre, e quem não está“.

A resposta

O presidente Lula e a ex-ministra Dilma Rousseff não deixaram os tucanos sem resposta. Num evento paralelo ao lançamento da candidatura de Serra, Lula ironizou o slogan do PSDB: “Eles querem e nós fazemos. Essa é a diferença substancial”.

O presidente prosseguiu: “Dilma não será a candidata da defesa de teses abstratas, será a candidata de auto-afirmação. Se eles dizem o Brasil pode mais, nós fazemos mais”.

Em relação ao ataque do PSDB à suposta divisão regional e em classes incentivada pelo governo e pelo PT, Lula reagiu assim: “Não queremos é deixar a divisão que eles deixaram entre ricos e pobres”.

Dilma seguiu no mesmo tom usado pelo presidente: “Esse país pode mais porque nós fizemos com que ele pudesse mais”. A ex-ministra lembrou que esses que agora dizem que o país pode “ir além”, quando estiveram no governo fizeram exatamente o contrário. Na Era FHC, o país andou para trás. Dilma os batizou como “viúvas da estagnação” e “exterminadores do emprego e do futuro”.

No discurso que proferiu durante o evento promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), berço político de Lula e do PT, Dilma demarcou a diferença entre os projetos petista e tucano: a defesa dos mais pobres, a defesa do patrimônio nacional e o respeito aos movimentos sociais.

Destaco dois pontos do discurso de Dilma. O primeiro trata daquilo que deve ser a prioridade do governo: “O Estado deve estar a serviço do interesse nacional e da emancipação do povo brasileiro“.

O segundo é uma provocação direta ao “conciliador” José Serra, o governador que manda a polícia bater em professores grevistas: “A democracia que desrespeita os movimentos sociais fica comprometida e precisa mudar para não definhar. O que estamos fazendo no governo Lula e continuaremos fazendo é garantir que todos sejam ouvidos. Democrata que se preza não agride os movimentos sociais. Não trata grevistas como caso de polícia. Não bate em manifestantes que estejam lutando pacificamente pelos seus interesses legítimos“.

Piada de mau gosto

 

Por falar em José Serra, o tucano deu uma tremenda bola fora no Twitter.

O governador tucano resolveu fazer piada com o desabamento do metrô, que matou sete pessoas em 2007.

Lembram quando Marta Suplicy soltou aquele “relaxa e goza”? O mundou quase caiu.

Mas com o Serra…

Imprensa protege José Serra

Na semana passada (sexta-feira, 13), três vigas de sustentação de um viaduto do Rodoanel, obra viária realizada pelo governador tucano José Serra em São Paulo, desabaram sobre dois carros pequenos e um caminhão, deixando três pessoas feridas.

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou “79 irregularidades graves” no Rodoanel do Serra, mas a notícia não mereceu a primeira página dos jornalões da grande imprensa.

Já imaginaram se o governador de São Paulo fosse do PT?

O medo de Agripino

Li nos jornalões do PIG que o DEM está exigindo a vaga de vice na chapa presidencial do PSDB. Um dos nomes cotados é o do senador potiguar José Agripino.

Mas Jajá declarou que, se chamado, vai declinar do convite, alegando que sua prioridade é a reeleição ao Senado.

Na verdade, Jajá tem medo de embarcar numa canoa furada, porque sabe que José Serra, provável candidato tucano, tem pouquíssimas chances de vencer a ministra Dilma Rousseff (PT), candidata do presidente Lula à sucessão.

É só uma questão de tempo pra candidatura da petista crescer — mesmo com o jogo pesado da mídia tucana contra a ministra. Uma pesquisa que o próprio DEM encomendou revelou que a situação do tucano não é nada boa. Dilma supera ou empata com Serra em quatro estados: Distrito Federal, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Agripino não tem coragem de entrar numa partida tão disputada e correr o risco de ficar sem nada. Em 2006, Jajá tentou ser vice de Alckmin, mas o PSDB o boicotou.

Naquela ocasião, o senador não teria nada a perder, porque mesmo com uma provável derrota nacional, ainda teria quatro anos pela frente no Senado.

Agora, o a brincadeira é mais difícil.

 

Dilma está muito bem em quatro estados: DF, RS, BA e RS

Do Blog do Nassif:

Os impasses da oposição

Por Marco Antônio

A informação de Dora Kramer, ontem, em sua coluna, sobre a pesquisa encomendada pelo DEM no Distrito Federal e na Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais é fundamental para que possamos estabelecer um debate em torno da agenda política imediata.

Segundo a pesquisa, levada ao conhecimento do PSDB para que Serra assumisse sua candidatura ou abrisse espaço para Aécio, teve os seguintes resultados ( números não divulgados), em texto transcrito literalmente da colunista

Há quatro amostras: Distrito Federal, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Na capital, Ciro Gomes aparece em primeiro lugar, Dilma Rousseff em segundo e José Serra em terceiro. Em Salvador, Dilma empata com Serra e abre vantagem na região metropolitana. No Rio Grande do Sul, a candidata do presidente Lula também aparece na frente e, em Minas, diz o DEM, o quadro é de ‘aperto’.

Confrontado com os dados, o PSDB só contesta este último.”

Isso demonstra, em primeiro lugar, a total falta de conexão com a realidade das pesquisas divulgadas por IBOPE e DataFolha. O que não é novidade, mas agora é confirmada por uma fonte suspeita: o encomendante. Por isso, a preocupação com a ” campanha antecipada” de Dilma, a exposição maior da Ministra está realmente dando resultados.

Em segundo lugar, demonstra que Aécio realmente está bem abaixo de Serra nas intenções. Ou o DEM não estaria pedindo a Serra que se decidisse logo e dando a preferência a ele. Na verdade, o DEM já viu que só resta antecipar a agenda eleitoral. E não pretende apostar outras fichas em ” cavalos paraguaios”. Aécio tem um piso de votos baixíssimo. Não há nenhuma garantia nem indicação fática de que poderia subir nas pesquisas. Pelo contrário, a tese de sua invencibilidade em Minas é totalmente contestada pelo praticamente empate de Dilma com o candidato do PSDB no Estado. E evidentemente foram feitos cenários alternando os nomes peessedebistas e até uma chapa puro-sangue, já que o interesse principal era descobrir a chance de Dilma e a de qual dos dois tucanos era maior, para tentar a composição de chapa.

Além disso, a tese do ” confronto”, que Serra protagonizaria com sua candidatura, e Aécio não, não se sustenta. Na campanha, Aécio não conseguirá se desvincular da herança de FHC, principalmente se tiver aliados como o próprio, Arthur Virgílio, Agripino Maia, ACM Jr, Alckmin e companhia. Sem falar do próprio Serra, o qual, aparecendo na campanha, o que é inevitável, já gerará a vinculação com o passado tucano.

Em política, nada é definitivo. Mas no momento, é impossível dizer que Dilma não vislumbra céus tranquilos. Enquanto o PSDB encontra-se diante de uma Esfinge que ameaça devorá-lo, caso não decifre o enigma. Ou se decifrá-lo errado, este sim, o dilema.

 

 

Serra dá um “jeitinho” de fazer propaganda fora de São Paulo

O blog reproduz o post a seguir, retirado do blog do Guilherme Scalzilli:

O turista eleitoral

No último dia 15, a Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou a Proposta de Emenda Constitucional 1/2008, da deputada Célia Leão (PSDB). Agora, a administração José Serra está livre para financiar “publicidade de qualquer natureza fora do território do Estado, para fins de propaganda governamental”. A idéia é promover o turismo.
Entenderam?

Mas espera um pouquinho – e aquela milionária campanha “institucional”, paga pelo contribuinte para o governo paulista se vender aos espectadores amapaenses? Era tudo irregular mesmo, na cara dura? E ninguém faz nada?
As críticas de Lula aos Tribunais de Contas são de fato absurdas.

O PIG é mesmo cego, surdo e mudo diante das reinações do Zé Pedágio.

A manipulação das pesquisas eleitorais

Ricardo Noblat divulgou o resultado de uma pesquisa encomendada pelo PSDB ao Ibope que mostra o crescimento de José Serra (PSDB) na disputa pela Presidência da República, com 41% contra 35% da pesquisa anterior.

Neste cenário, Dilma Rousseff (PT) aparece em segundo lugar, com 17%, seguida de Ciro Gomes (PSB) com 16% e Marina Silva (PV) com 9%.

O que Noblat, conhecido pelas barrigas que noticia em seu blog, não disse aos seu leitores é que a pesquisa atual não pode ser comparada com a anterior, porque o levantamento atual não apresentou aos entrevistados o nome do candidato sozinho, mas sim acompanhado do vice.

É o que revela Renata Lo Prete no Painel da Folha:

Bananas… A pesquisa Ibope em que José Serra obtém 41% de intenção de voto não pode ser comparada com a anterior do instituto, na qual o tucano havia registrado 35%. Encomendado pelo PSDB, o levantamento mais recente não apresentou ao entrevistado o nome do candidato sozinho, mas sim acompanhado de um vice.

…e laranjas. Serra atingiu 41% tendo o correligionário Aécio Neves como vice. No caso de Dilma (17%), o companheiro de chapa foi Temer.

A democracia tucana

Por falar em PSB, o vereador paulista Gabriel Chalita, outro recém filiado ao partido, corre o risco de perder o mandato. O PSDB, seu antigo partido, decidiu recorrer à Justiça contra o parlamentar alegando “infidelidade partidária”.

Chalita, obviamente, não gostou nada da notícia. De acordo com o vereador, foram suas críticas ao governador José Serra que levaram o PSDB a ir à Justiça. “Isso é democracia? Minhas críticas não foram pessoais. Por que a retaliação?”, questionou Chalita.

Em nota, o vereador disparou mais críticas ao governador tucano e ao PSDB: “O governador José Serra fechou a metade das escolas em finais de semana e diminuiu as de tempo integral, além de não dar aos professores o devido valor. Não posso concordar com isso. O atual comando do PSDB contraria as posições históricas de Franco Montoro e Mário Covas e se opõe ao próprio programa da Social Democracia. (…)Antes tentavam me impor o silêncio. Agora querem também o mandato.”

Gabriel Chalita, ex-tucano, conta como José Serra faz política

D’O Estadão:

”Serra tem outra forma de fazer política”

Vereador sugere que governador está por trás de críticas à sua gestão na Educação: ‘Acho muito feio tentar destruir pessoas’

Dois dias após anunciar a saída do PSDB, no qual militou por 20 anos, o vereador paulistano Gabriel Chalita disse que não tinha espaço no partido por ser aliado do ex-governador Geraldo Alckmin. “As pessoas ligadas a ele têm muito pouco espaço neste PSDB”, afirmou. O parlamentar, que se filiará na terça-feira ao PSB, aliado ao PT no governo federal, disse não estar preocupado com a vaga oferecida pela nova legenda para disputar o Senado em 2010. “Não é a questão do cargo. A questão é, dentro de uma agremiação partidária, você não ter voz alguma. Não tenho estômago para isso.”

Chalita não vê “traição” em não apoiar a candidatura tucana. “Teria tranquilidade no campo das ideias de discordar de quem já fui aliado.” Insinua que o governador José Serra está por trás de ataques à sua gestão na Educação, no governo Alckmin. “De repente, começou a surgir coisa de todos os lados. Escritor de autoajuda, fez biografia da Vanusa. De uma hora para outra. Começaram a tratar meus programas de educação de forma vulgar.”

(…) Sei que há muitas pessoas que o defendem na mídia e percebo os blogs que saem, o que falam. O presidente (municipal do PSDB) disse que não vai pedir meu mandato. Minha votação ajudou o partido e nunca faltei na Câmara, mas os recados que ouço são que, se alguém for pedir o mandato, é porque é um desejo do Serra.

O PIG e as enchentes em São Paulo

Enchente SP

A cidade de São Paulo viveu um dia de caos, ontem (8), provocado pela forte chuva que causou enchentes, desabamentos e mortes. O governador tucano José Serra e o prefeito Gilberto Kassab do DEM se esconderam o quanto puderam e o PIG faz de conta que a dupla não tem nenhuma responsabilidade sobre a situação.

José Serra, o amigo dos pobres, gastou milhões de reais na ampliação da marginal do Tietê – obra apontada por especialistas como responsável pela perda de área permeável e pelo transbordamento do rio.

No mês passado, Gilberto Kassab cortou em 20% o orçamento da limpeza pública da cidade. O resultado veio agora com os bueiros estourados espalhando lixo que o prefeito queria esconder.

Apesar disso, a imprensa não quis importunar o governador nem o prefeito. José Serra culpou a natureza pelas enchentes. “É culpa da natureza que se rebela. Temos que rezar para que isso não se repita”, decretou o governador.

O PIG não perguntou ao governador sobre a obra da marginal do Tietê nem questionou o prefeito sobre o corte no orçamento da limpeza. Para o PIG, Serra e Kassab são inocentes.

Azenha mostrou que, na cobertura do PIG, as enchentes de São Paulo não têm dono. Mas antes, quando Erundina e Marta eram prefeitas pelo PT, as enchentes tinham dono.

“Os indignados nas gestões petistas nem se lembraram de questionar o dono de jornais José Serra e o “padrinho maroto dos ambulantes da Mooca e da Lapa”, Gilberto Kassab”, escreveu Mauro Carrara no Vi o Mundo.

Clique aqui e entenda como o PIG funciona.

Mui amigo

Por Gustavo Bertram, colaborador do blog:

 

José Serra, o amigo dos pobres, em três outras ocasiões de demonstração extrema de afeto e amizade pelos de baixa-renda:

1) Serra põe rampa antimendigo na Paulista

2) José Serra oferece dinheiro para nordestinos deixarem São Paulo

3) Serra culpa nordestinos pelo fraco desempenho de São Paulo na educação

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