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A democracia tucana

Por falar em PSB, o vereador paulista Gabriel Chalita, outro recém filiado ao partido, corre o risco de perder o mandato. O PSDB, seu antigo partido, decidiu recorrer à Justiça contra o parlamentar alegando “infidelidade partidária”.

Chalita, obviamente, não gostou nada da notícia. De acordo com o vereador, foram suas críticas ao governador José Serra que levaram o PSDB a ir à Justiça. “Isso é democracia? Minhas críticas não foram pessoais. Por que a retaliação?”, questionou Chalita.

Em nota, o vereador disparou mais críticas ao governador tucano e ao PSDB: “O governador José Serra fechou a metade das escolas em finais de semana e diminuiu as de tempo integral, além de não dar aos professores o devido valor. Não posso concordar com isso. O atual comando do PSDB contraria as posições históricas de Franco Montoro e Mário Covas e se opõe ao próprio programa da Social Democracia. (…)Antes tentavam me impor o silêncio. Agora querem também o mandato.”

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O legado de Lula

Escrevi num dos posts abaixo que a imprensa conservadora do nosso país teima em não reconhecer a importância do presidente Lula no cenário geopolítico mundial. Lá fora, Lula é saudado como um dos líderes mais influentes do mundo. No Brasil, é tratado com o ranço, o desdem e o preconceito que as elites controladoras da mídia sempre dedicaram ao ex-líder sindical.

Mas às vezes, até para os míopes, é difícil não se render aos fatos. O governo Lula deu certo: a desigualdade social caiu, a renda melhorou e o emprego cresceu.

Lula começou a mudar a história do país quando resolveu priorizar os mais pobres em seu governo, devolvendo-lhes a dignidade que antes lhes era negada.

Os abastados chamam de “esmolas” as ações do governo em favor do povo. Certamente, acreditam que o histórico abismo social que nos separa seria superado, um dia, por inércia. Para essa gente, tudo que se faça para amenizar a miséria é “esmola” e “populismo”.

Lula dá de ombros para os críticos, enquanto segue governando com olhos voltados para os mais carentes. Deixará saudades quando sair do cargo, ficará entronizado na memória do seu povo e entrará para a história como grande estadista.

Algumas aves de rapina da imprensa conservadora, saudosas do (des)governo do príncipe dos sociólogos, sem ter mais como esconder a verdade, ensaiam uma tímida mudança de discurso. O constrangimento é notório.

Ricardo Noblat, o blogueiro do jornal O Globo, não esconde sua contrariedade com o êxito do petista. Mesmo assumindo que as realizações do governo federal são “notáveis”, o que se lê nas entrelinhas da mea culpa esboçada pelo jornalista é um rancor inexplicável, somado à esperança que o projeto lulista termine ano que vem, com a volta dos tucanos.

Este embolador torce para que a esperança de Noblat termine frustrada, porque considero que seria um desastre se o país voltasse para as mãos dos tucanos, reconhecidamente contrários às políticas sociais colocadas em prática pelo presidente Lula.

A moral tucana

Os tucanos são uma espécie esquisita de políticos. Governaram o Brasil por oito anos, levaram o país à falência e protagonizaram inúmeros escândalos de corrupção. Mas depois que se mudaram para a planície deletaram o passado podre da memória e começaram a se comportar como se fossem o exemplo perfeito da ética na política. Já vimos esse filminho antes.

O PIG, saudoso dos tempos do governo do príncipe dos sociólogos, ajudou a promover a farsa e transformar essa turma em guardiões da moralidade. Assim, repentinamente, passaram de vilões a heróis.

De vez em quando vejo tucanos fazendo discursos indignados na TV contra a corrupção e morro de rir com a pantomima moralista que insistem em encenar.

Há pouco tempo os tucanos lideraram uma cruzada contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), aliado de outrora, posteriormente convertido em demônio após atracar na base lulista. 

Sarney, o incomum, foi acusado de se beneficiar dos atos secretos para nomear parentes. Era Agaciel Maia, ex-diretor geral do Senado, quem comandava a farra dos atos secretos. Agaciel terminou afastado do cargo e ainda corre o risco de ser demitido por causa do escândalo.

Os tucanos, capitaneados pelo senador Arthur Virgílio (AM), vociferaram contra o ex-diretor. Mas rapidinho começaram a surgir as primeiras provas da relação de Agaciel Maia com a tucagem. O próprio Virgílio recorreu a Agaciel para pedir um empréstimo quando se viu em apuros durante uma viagem ao exterior. A máscara do paladino amazonense começou a cair neste momento.

Mas não é só Virgílio que tem ou tinha ligação com Agaciel. O senador Papaléo Paes (PSDB-AP) disse ontem (3) que iria requisitar a transferência de Sânzia Maia, mulher de Agaciel, atualmente locada na gráfica do Senado, para seu gabinete. Papaléo justificou a intenção dizendo que se tratava de um “ato de humanidade”.

O danado é que Papaléo, o bom, foi incompreendido e a notícia repercutiu negativamente. Os tucanos fizeram aquele ar blasé bem peculiar, seguido de declarações ensaiadas de reprovação ao pedido do companheiro de legenda  e, finalmente, convenceram Sânzia a desistir da transferência.

Pode parecer que o epidódio não passou de uma trapalhada de Papaléo, mas, na verdade, serviu pra mostrar como o discurso dos tucanos durante a crise no Senado era fingido.

Papaléo achou que todo mundo já havia esquecido a lama que correu por lá e botou as unhas de fora para ajudar, vejam só, a mulher do grande articulador dos atos secretos e envolvido em várias denúncias – além de editar os famigerados atos secretos, descobriu-se que Agaciel Maia mantinha um bunker no Senado, onde foram encontrados DVDs e revistas com conteúdo pornô e gel lubrificante.

Definitivamente, a moral tucana é bem difícil de se entender.

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