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Caetano defende Bethânia e ataca a “Veja” e a “Folha”

Tenho muitas ressalvas ao pensamento político de Caetano Veloso, mas, neste artigo, concordo com tudo o que disse o irmão de Maria Bethânia. Ao comentar o linchamento vivido pela irmã, criticou o jornalismo praticado pela Veja e pela Folha, afirmou que as duas publicações enganam os leitores e disparou ironias contra três expoentes do PIG: Ricardo Noblat (O Globo), Reinaldo Azevedo (Veja) e Mônica Bergamo (Folha). “Certos jornalistas precisam sentir na pele os danos que causam com suas leviandades“, protestou.

Leia, abaixo, a íntegra do artigo (via Fala Particular):

Caetano Veloso – Bethânia

Não concebo por que o cara que aparece no YouTube ameaçando explodir o Ministério da Cultura com dinamite não é punido. O que há afinal? Será que consideram a corja que se “expressa” na internet uma tribo indígena? Inimputável? E cadê a Abin, a PF, o MP? O MinC não é protegido contra ameaças? Podem dizer que espero punição porque o idiota xinga minha irmã. Pode ser. Mas o que me move é da natureza do que me fez reagir à ridícula campanha contra Chico ter ganho o prêmio de Livro do Ano. Aliás, a “Veja” (não, Reinaldo, não danço com você nem morta!) aderiu ao linchamento de Bethânia com a mesma gana. E olha que o André Petry, quando tentou me convencer a dar uma entrevista às páginas amarelas da revista marrom, me assegurou que os então novos diretores da publicação tinham decidido que esta não faria mais “jornalismo com o fígado” (era essa a autoimagem de seus colegas lá dentro). Exigi responder por escrito e com direito a rever o texto final. Petry aceitou (e me disse que seus novos chefes tinham aceito). Terminei não dando entrevista nenhuma, pois a revista (achando um modo de me dizer um “não” que Petry não me dissera — e mostrando que queria continuar a “fazer jornalismo com o fígado”) logo publicou ofensa contra Zé Miguel, usando palavras minhas.

A histeria contra Chico me levou a ler o romance de Edney Silvestre (que teria sido injustiçado pela premiação de “Leite derramado”). Silvestre é simpático, mas, sinceramente, o livro não tem condições sequer de se comparar a qualquer dos romances de Chico: vi o quão suspeita era a gritaria, até nesse pormenor. Igualmente suspeito é o modo como “Folha”, “Veja” e uma horda de internautas fingem ver o caso do blog de Bethânia. O que me vem à mente, em ambas as situações, é a desaforada frase obra-prima de Nietzsche: “É preciso defender os fortes contra os fracos.” Bethânia e Chico não foram alvejados por sua inépcia, mas por sua capacidade criativa.

A “Folha” disparou, maliciosamente, o caso. E o tratou com mais malícia do que se esperaria de um jornal que — embora seu dono e editor tenha dito à revista “Imprensa”, faz décadas, que seu modelo era a “Veja” — se vende como isento e aberto ao debate em nome do esclarecimento geral. A “Veja” logo pôs que Bethânia tinha ganho R$ 1,3 milhão quando sabe-se que a equipe que a aconselhou a estender à internet o trabalho que vem fazendo apenas conseguiu aprovação do MinC para tentar captar, tendo esse valor como teto. Os editores da revista e do jornal sabem que estão enganando os leitores. E estimulando os internautas a darem vazão à mescla de rancor, ignorância e vontade de aparecer que domina grande parte dos que vivem grudados à rede. Rede, aliás, que Bethânia mal conhece, não tendo o hábito de navegar na web, nem sequer sentindo-se atraída por ela.

Os planos de Bethânia incluíam chegar a escolas públicas e dizer poemas em favelas e periferias das cidades brasileiras. Aceitou o convite feito por Hermano como uma ampliação desse trabalho. De repente vemos o Ricardo Noblat correr em auxílio de Mônica Bergamo, sua íntima parceira extracurricular de longa data. Também tenho fígado. Certos jornalistas precisam sentir na pele os danos que causam com suas leviandades. Toda a grita veio com o corinho que repete o epíteto “máfia do dendê”, expressão cunhada por um tal Tognolli, que escreveu o livro de Lobão, pois este é incapaz de redigir (não é todo cantor de rádio que escreve um “Verdade tropical”). Pensam o quê? Que eu vou ser discreto e sóbrio? Não. Comigo não, violão.

O projeto que envolve o nome de Bethânia (que consistiria numa série de 365 filmes curtos com ela declamando muito do que há de bom na poesia de língua portuguesa, dirigidos por Andrucha Waddington), recebeu permissão para captar menos do que os futuros projetos de Marisa Monte, Zizi Possi, Erasmo Carlos ou Maria Rita. Isso para só falar de nomes conhecidos. Há muitos que desconheço e que podem captar altíssimo. O filho do Noblat, da banda Trampa, conseguiu R$ 954 mil. No audiovisual há muitos outros que foram liberados para captar mais. Aqui o link: http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2011/02/Resultado-CNIC-184%C2%AA.pdf

Por que escolher Bethânia para bode expiatório? Por que, dentre todos os nossos colegas (autorizados ou não a captar o que quer que seja), ninguém levanta a voz para defendê-la veementemente? Não há coragem? Não há capacidade de indignação? Será que no Brasil só há arremedo de indignação udenista? Maria Bethânia tem sido honrada em sua vida pública. Não há nada que justifique a apressada acusação de interesses escusos lançada contra ela. Só o misto de ressentimento, demagogia e racismo contra baianos (medo da Bahia?) explica a afoiteza. Houve o artigo claro de Herman Vianna aqui neste espaço. Houve a reportagem equilibrada de Mauro Ventura. Todos sabem que Bethânia não levou R$ 1,3 milhão. Todos sabem que ela tampouco tem a função de propor reformas à Lei Rouanet. A discussão necessária sobre esse assunto deve seguir. Para isso, é preciso começar por não querer destruir, como o Brasil ainda está viciado em fazer, os criadores que mais contribuem para o seu crescimento. Se pensavam que eu ia calar sobre isso, se enganaram redondamente. Nunca pedi nada a ninguém. Como disse Dona Ivone Lara (em canção feita para Bethânia e seus irmãos baianos): “Foram me chamar, eu estou aqui, o que é que há?”

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Wikileaks e as eleições de 2010: as vísceras do jornalismo do PIG

Com informações dos blogs Gonzum e Maria Frô

Documentos vazados pelo Wikileaks, sobre as eleições 2010, revelaram que o então candidato tucano José Serra apostava suas fichas em Marina Silva (PV) para ser sua vice e ajudá-lo a derrotar Dilma Rousseff (PT). A informação foi repassada ao cônsul americano pelo colunista da Veja, Diogo Mainardi, que lhe contou sobre uma conversa que teve com o ex-governador de São Paulo.

Com base nas informações de Mainardi, o cônsul americano afirma que José Serra pediria a Marina Silva para ser a vice dele. Diante da improbabilidade disso acontecer, o tucano esperava o apoio dela no segundo turno da eleição de 2010.

Na mesma nota, o diplomata americano conta que, durante um almoço, Mainardi lhe revelou que escreveu um artigo na Veja defendendo a chapa Serra / Marina depois que o tucano lhe disse que a verde era a “companheira de chapa de seus sonhos”.

Na coluna em questão, Mainardi batizou a dobradinha Serra / Marina de “chapa cabocla”. “Uma chapa formada por José Serra e Marina Silva embaralharia a campanha de 2010, pegando o PT no contrapé e enterrando de vez a desastrada candidatura de Dilma Rousseff”, escreveu o colunista.

Apesar da defesa da “chapa cabocla”, Mainardi confessou ao cônsul que não acreditava na sua concretização. Para o colunista, Marina estava “interessada em fixar sua própria credibilidade, concorrendo, ela mesma, à presidência.

Em plano mais realista, Mainardi disse ao cônsul que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, lhe dissera, no início desse mês, que permanecia “completamente aberto” à possibilidade de concorrer como candidato a vice na chapa de José Serra“, diz trecho da nota vazada pelo Wikileaks.

A opinião de Mainardi era compartilhada pelo colunista d’OGlobo, Merval Pereira, que, em encontro no dia 21 de janeiro, disse ao cônsul dos EUA no Rio de Janeiro que o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), estaria disposto a “fazer tudo” para ajudar José Serra, inclusive ser seu vice.

Merval disse acreditar que “não só [Aécio] Neves aceitará ser vice-presidente de Serra, mas também que Marina Silva apoiaria Serra num eventual segundo turno.

Como se sabe, tanto as análises de Mainardi, chamado de “renomado colunista político”, como as previsões de Merval Pereira revelaram-se enormes furadas. O problema é que, ao confundir análise com torcida, os dois colunistas do PIG passaram por cima dos fatos e se apegaram à ilusão de que suas hipóteses virariam verdade por inércia.

A promiscuidade entre a velha imprensa e a direita tucana não é novidade. Além dos delírios de José Serra, o documento do Wikileaks expôs as vísceras do jornalismo praticado pela grande mídia.

Ao emprestarem suas páginas para Mainardi e Merval repassarem os recados ditados pelo tucano, Veja e O Globo trocaram a fantasia da imparcialidade pelas vestes da subserviência.

Veja é acusada de plagiar reportagem da Scientific American

Do Comunique-se:

Um leitor da revista Veja acusa a publicação de cometer plágio em uma matéria na edição Especial Sustentabilidade, veiculada no último sábado (18/12). A reportagem “10 mitos sobre a sustentabilidade” apresenta alguns trechos iguais aos publicados em março de 2009 na Scientific American, com o título “Top 10 Myths about Sustainability”. No entanto, a Veja nega e diz que há apenas uma fonte em comum, mas que também ouviu outros entrevistados.

Algumas partes do texto são realmente diferentes e há entrevistas de Anthony Cortese, fundador e presidente da Second Nature, Rosely Imbernon, especialista em educação ambiental da Universidade de São Paulo e Mark Lee, diretor da Sustainability, mas há outros trechos iguais ou bem similares à revista norte-americana.

De acordo com o editor-executivo da Veja, Jaime Klintowitz, o leitor já foi respondido e o que houve foi apenas uma fonte em comum, Anthony Cortese, fundador e presidente da Second Nature. “De 10 títulos há 7 em comum, tem essa coincidência. Mas nossa principal fonte é a mesma da Scientific American, o Anthony Cortese. De qualquer forma, matérias sobre esses são assuntos são parecidas”, explicou.

 

O que é? O que é?

Do Balaio Vermelho:

 Uma pequena nota política

Lina Vieira: inocente útil, inocente inútil

ou inocente fútil?

Veja: uma revista raivosa, uma revista mentirosa

ou uma revista direitosa?

 

O caso Lina Vieira e a verdadeira face do PIG

Já era previsível. O PIG recomeçou os ataques contra a ministra Dilma Rousseff. A indústria de criação de escândalos artificiais havia dado um tempo, mas agora voltou a agir orquestradamente.

O roteiro é sempre o mesmo. O primeiro veículo publica o escândalo em destaque, na primeira página. No dia seguinte, os outros repercutem a farsa. Transforma-se uma versão dos fatos — a que interessa à mídia tucana — na única versão possível.

As contradições começam a aparecer. A farsa cedo ou tarde se torna evidente. O jornalismo de aluguel termina escancarado. Mas o estrago está feito. O alvo da indústria de assassinato de reputações já foi exposto ao escárnio público. A nódoa forjada em sua biografia jamais será removida. Para muitos, fica a versão da farsa.

Nesta nova ofensiva, cube à ‘Veja’ dar o primeiro passo, ressuscitando o factóide do caso Lina Vieira. A ex-secretária da Receita Federal, segundo a revista, contou a um amigo que havia encontrado, dois meses depois, a agenda onde anotou a mão a data do encontro sigiloso com a ministra da Casa Civil: 9 de outubro de 2008.

O rigor jornalístico da ‘Veja’ é uma coisa invejável. A revista publica, com estardalhaço, uma informação baseada apenas no relato do “amigo anônimo”, como se isso fosse uma coisa absolutamente crível. É preciso ser ingênuo demais pra ser convencido dessa lorota.

No post anterior, comentei que a novela de Lina Vieira era muito inverossímel. Ninguém leva tanto tempo pra encontrar uma simples agenda. Mas isso nem é o mais importante. Quando comparamos as muitas versões contadas pela ex-secretária, os buracos ficam claros.

Primeiro, Lina não se lembrava do dia do encontro com Dilma, mas sussurou aos senadores da oposição, nos bastidores, que a data era 19 de dezembro. Oficialmente, disse somente que a reunião aconteceu próximo do final do ano passado, provavelmente à tarde e que o gabinete da ministra estava na penumbra.

Depois, subitamente, Lina encontra a agenda e ficamos sabendo que o encontro ocorreu no dia 9 de outubro, às 10h13. Aquela história do dia 19 de dezembro, à tarde, na penumbra, não passou de um “equívoco” da ex-comandante do fisco brasileiro. É muito desatenta a nossa “cidadã natalense”, não?! 

No outro post, observei ainda que a ‘Veja’ tentou dar ares de novidade a uma informação velha. É a velha tática de vender um blefe como se fosse nitroglicerina pura.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), durante o depoimento de Lina Viera à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, em 18 de agosto, listou as datas das audiências que Lina teve com Dilma.

No dia 9 de outubro, conforme revelou o petista naquela ocasião, Lina esteve na Casa Civil para tratar com a ministra do Fórum CEOS, que se realizaria no dia 10 de outubro daquele ano. A própria Lina, respondendo ao senador, confirmou a informação.

Então, cadê a novidade? A própria ‘Veja’ reconhece que a data já havia sido confirmada pelo governo:

Em agosto passado, o senador Romero Jucá, um dos principais defensores do governo no Congresso, divulgou um relatório com as entradas oficiais de Lina no Palácio do Planalto. De acordo com Jucá, a ex-secretária esteve no Planalto quatro vezes – em outubro de 2008 e nos meses de janeiro, fevereiro e maio de 2009. O único ingresso registrado no ano passado, portanto, ocorreu em 9 de outubro, às 10h13. Lina, segundo os registros oficiais, deixou o Planalto às 11h29 do mesmo dia.”

O engraçado é que muita gente desdenha quando dizemos que a imprensa conservadora se transformou num apêndice da oposição demo-tucana e age como se fosse um partido político. Na semana em que o presidente Lula e a ministra Dilma percorreram o sertão nordestino para inspecionar as obras de revitalização do rio São Francisco, desenterram esse factóide protagonizado pela ex-secretária. O PIG mostrou sua verdadeira face.

‘Veja’ desenterra factóide de Lina Vieira

A revista ‘Veja’, panfleto reacionário da Editora Abril, ressuscitou o factóide do encontro sigiloso que a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, jurou ter tido com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. No encontro, segundo Lina, a ministra pediu para “acelerar” as investigações contra o filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Dilma assegurou que o encontro misterioso nunca aconteceu.

Dois meses depois, a revista afirma que o encontro teria ocorrido no dia 9 de outubro de 2008. Quando trouxe o caso à tona, Lina não se lembrava a hora, o dia nem o mês da reunião. Mas a ‘Veja’ sustenta que, agora, a ex-secretária encontrou a agenda perdida, onde constaria o registro correto da data do encontro, com a singela observação: “Dar retorno à ministra sobre família Sarney”.

De acordo com a revista, Lina confidenciara a “um amigo” (quem?!) que achou a agenda — outrora perdida em meio às quinquilharias que haviam sido despachadas para Natal. A revista conta que procurou Lina para confirmar a história, mas a ex-secretária respondeu que não falaria mais sobre o caso.

Agora, respondam, por favor: Qual a credibilidade de uma notícia dessa? Como podemos tomar como crível uma informação baseada somente na revelação de um amigo anônimo? Além disso, mesmo que a ex-secretária venha a público confirmar que encontrou a referida agenda, isso prova o quê? Qualquer pessoa pode forjar o registro de um compromisso que nunca existiu em sua agenda particular. Como alguém pode demorar dois longos meses para encontrar uma simples agenda?! Essa novelinha é inverossímel demais.

Fora que não há, verdadeiramente, nenhuma novidade na revelação desta data. Quando Lina depôs na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, no dia 18 de agosto, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) divulgou um levantamento com o registro das datas em que a ex-secretária se encontrara com a ministra Dilma Rousseff. Conforme o relatório, Lina esteve com Dilma nos dias 14 de agosto e 9 de outubro de 2008 e nos dias 22 de janeiro, 16 de fevereiro e 19 de maio de 2009.

Vamos, então, repassar alguns pontos: Lina disse que havia sido “chamada às pressas” pela ministra para um encontro “sigiloso”; contou que ouvira da chefe de gabinete da ministra, Erenice Guerra, a orientação para que o encontro fosse mantido em segredo; quando confrontada com o levantamento apresentado pelo senador Aloizio Mercadante, sustentou que o encontro aconteceu, mas que não havia sido oficialmente registrado.

Não é preciso fazer muito esforço para juntar as peças do quebra-cabeça: se não constava na agenda oficial da ministra, o encontro “às pressas” a que Lina se refere não poderia jamais ter ocorrido no dia 9 de outubro, porque — truísmo dos truísmos!!! — o encontro do dia 9 de outubro estava registrado na AGENDA OFICIAL da ministra. 

Daí ficamos assim: Lina não se lembrava da data do encontro com Dilma. Agora, quando Dilma começa a ensaiar uma recuperação política, após longa exposição negativa na imprensa, ressuscitam este factóide.

É coincidência demais para o meu gosto. Melhor botar as barbas de molho e ficar de olhos bem abertos com o que ainda vem por aí.

É preciso resistir

Navegando pelo blog do Eduardo Guimarães, encontrei um post sobre jornalistas que questionam o status cuo da imprensa brasileira. Ele chama o fenômeno de “revolta dos jornalistas”.

Para Eduardo, muitos destes profissionais adotaram esta postura combativa porque não aceitaram fazer o público de bobo, como queriam os barões da mídia. Em vez disso, escolheram expor as estranhas da nossa imprensa.

Mas tanta coragem assim tem um preço. Os que recusam o papel de capacho são relegados, quase sempre, ao limbo jornalístico:

“Os outros jornalistas mencionados receberam de seus ex-empregadores aquele desprezo como de quem diz “você não importa”, estratégia usada freqüentemente pela indústria da desinformação para pôr desafetos na “geladeira” e lhes fechar as portas do mercado de trabalho através das famigeradas associações de classe midiáticas.”

Eduardo afirma, em outro trecho, que “o jogo é pesado“. Eu acrescento: pesado e sujo, meu caro.

Digo isso com conhecimento de causa. Desde o episódio da denúncia contra o aspone que chamou os funcionários públicos de “ladrões” fui condenado ao limbo.

Resguardadas as devidas proporções, enfrento, aqui na província, perseguição semelhante a que Luis Nassif tem se deparado com a Editora Abril, depois que decidiu desmascarar a Veja e alguns colunistas desse panfleto reacionário.

Em Natal, é quase proibido pensar, cogitar e existir. Jornalista que ousa questionar a ordem vigente não é bem visto no meio.

Um desses aduladores profissionais que se dizem jornalistas disse que eu deveria me preocupar com minha “má fama”. 

Disse ao panaca que não escolhi esta profissão para agradar a ninguém. Os únicos compromissos que tenho é com a sociedade e a minha consciência.

Não me vendo e não me rendo. Prefiro, mil vezes, colocar minha viola no saco e voltar ao pé-de-serra de onde vim a negociar a consciência em troca das migalhas da mesa dos poderosos.

Obama enfrenta o PIG dos EUA

A Casa Branca decretou guerra contra o PIG (Partido da Imprensa Golpista) dos Estados Unidos. O principal alvo é a rede Fox News, tida como uma “organização partidarizada, que funciona como apêndice do Partido Republicano.” A acusação é da diretora de Comunicações de Barack Obama, Anita Dunn.

Anita disse, sem meias palavras, como o PIG de lá trabalha. Em entrevista ao diário The New York Times, domingo (11), a diretora declarou que “a rede Fox está em guerra contra Barack Obama e a Casa Branca, [e] não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha seria o modo que dá legitimidade ao trabalho jornalístico.”

A revista Time explicou a nova estratégia de Obama para reagir aos ataques da mídia conservadora norte-americana:

Todas as críticas, diárias, repetidas, as justas e também as injustas, e as delirantes, todas, estão pesando sobre a Casa Branca, objeto de ataques incansáveis. Então, a Casa Branca pensou em uma nova estratégia: em vez de facilitar a vida dos jornalistas, oferecendo-lhes fatos que os jornais e jornalistas usam em seguida como se fossem ‘prova’ do que escreveriam contra Obama mesmo sem qualquer verificação ou sem qualquer prova, a Casa Branca decidiu entrar no jogo e criticar mordazmente o jornalismo de futricas, os políticos e os veículos que vivem de publicar bobagens, ou mentiras, ou invenções completamente nascidas das cabeças dos ‘jornalistas’, como, por exemplo, a ideia de que o plano de Obama para reforma da assistência à saúde dos norte-americanos incluiria “clínicas sexuais” a serem implantadas nas escolas. Obama, descansado e relaxado depois dos feriados em Martha’s Vineyard, riu da ideia dos ‘jornalistas’ e disse aos auxiliares que “Ok. Vamos chamar os caras p’ra conversar lá fora.”

Em outro trecho da matéria, Anita Dunn justifica a nova tática governista: “Trata-se de opinião partidarizada, travestida de noticiário e de jornalismo“, disparou ao comentar o modus operandi da Fox News. A matéria completa está no blog do Azenha.

Por alguns instantes, tive a impressão que a secretária de Obama estava falando sobre o Brasil e o PIG tupiniquim. Parece que os conservadores da mídia ianque fizeram um curso avançado de mau jornalismo com a turma daqui — Globo, Veja, Folha, entre outros.

Lamentavelmente, o popularíssimo presidente Lula se acovardou, fugiu do enfrentamento e preferiu conciliar com o PIG, esperando que os conservadores fossem menos hostis. Não deu certo.  O governo vive sob fogo cruzado da mídia tucana, saudosa da era neoliberal.

Mesmo assim, o governo recompensou os barões da mídia com o direito de indicar 40% dos delegados com poder de voto na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que vai ocorrer entre os dias 14 e 17 de dezembro, em Brasília.

Assim, a caixa-preta das concessões de rádio e televisão continua inviolável.

A retórica golpista

É divertido ver a turma do PIG fazendo patinação retórica para apoiar, sem admitir explicitamente, o golpe militar que depôs o presidente de Honduras, Manuel Zelaya.  

Reinaldo Azevedo, o blogueiro da Veja, é o mais aplicado. Ele se supera em matéria de reacionarismo e desonestidade intelectual.

Após sucessivas tentativas de descaracteizar o golpe, o blogueiro se viu contra a parede quando Roberto Micheletti, o ditador hondurenho, decretou o fim dos direitos constitucionais, restringiu as liberdades de circulação e expressão e fechou emissoras de rádio e TV.

Diante do decreto arbitrário que instituiu o estado de sítio, já apelidado de “AI-5 de Honduras”, Reinaldo Azevedo disse que eram “medidas de defesa” e negou que o país da América Central estivesse sob controle de uma ditadura.

Esperar o quê desse farsante? Reinaldo tem um conceito de democracia bem peculiar: democracia é bem-vinda, desde que não mexa com o status cuo.

Em sua luta para dar ares legais ao golpe, sustenta que a “cláusula pétrea” da Constituição de Honduras proíbe a realização de plebiscitos. O patife esquece, porém, que democracia sem soberania popular é apenas uma farsa.

No Óleo do Diabo, Miguel do Rosário aprofunda esse ponto: “Não há “cláusula pétrea” que possa anular o que constitui a essência moral de uma democracia: o poder emana do povo, que o exerce através do sufrágio.

Reinaldo, como o resto do PIG, justifica o golpe alegando que Zelaya pretendia mudar a Constituição de Honduras para se candidatar à reeleição. É enganação das mais baratas. O plebiscito convocado pelo presidente deposto não tratava de reeleição, mas sobre a convocação ou não de uma Assembléia Constituinte, que decidiria sobre a possibilidade de reeleição.

Ainda que essa tese viesse a ser aprovada, só entraria em vigor nas próximas eleições. Portanto, Zelaya não poderia se candidatar à reeleição agora. Por que não informar isso às pessoas? Por que distorcer a realidade?

O jornalismo canalha da imprensa golpista

Quando a gente diz que a imprensa se transformou no PIG (Partido da Imprensa Golpista), há quem duvide. Qualquer pessoa com o mínimo de senso crítico consegue perceber como a mídia manipula, distorce e descontextualiza as informações, conforme a conveniência da situação.

A estratégia mais usada é fabricar e divulgar escândalos contra desafetos políticos, cuja reputação é assassinada sem direito de defesa. Transforma-se uma versão do caso na única versão possível. O público quase nunca tem acesso ao contraditório. Os escândalos são noticiados em manchetes nas capas de jornais para, dias depois, serem desmentidos em constrangedores cantos de página.

Para quem ainda acredita no PIG, Luis Nassif revelou mais uma armação vastamente destacada, acriticamente, pela mídia a serviço dos tucanos.

É o vergonhoso caso do dossiê mentiroso produzido contra Victor Martins, irmão do ministro Franklin Martins (Comunicações), divulgado pelo reacionário Diogo Mainardi em sua coluna na Veja.

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal comprovaram que o dossiê divulgado por Mainardi é falso. No documento, Victor Martins, diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), é acusado favorecer prefeituras que contratavam a Análise Consultoria, empresa que o diretor tem em sociedade com a mulher, Joseana Seabra. Em troca, as prefeituras receberiam mais dinheiros dos royalties da Petrobras.

O dossiê, segundo a PF, foi fabricado por Wilson Ferreira Pinna, agente federal aposentado, lotado na ANP.

Leia abaixo matéria do Portal Vermelho sobre o assunto:

PF descobre quem foi que tramou com a Veja os ataques a Martins

O agente federal aposentado Wilson Ferreira Pinna, lotado na Agência Nacional de Petróleo (ANP), foi apontado pela Polícia Federal como o autor do falso dossiê contra o diretor do órgão, Victor de Souza Martins, irmão do ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. O dossiê falsificado foi usado pela revista Veja para atacar a ANP e o ministro.

O material falsificado acusava Victor de Souza de aumentar os royalties das prefeituras que contratavam a empresa Análise Consultoria, que ele tem em sociedade com a mulher, Joseana Seabra. Pinna foi denunciado na 2ª Vara Federal Criminal do Rio pelos crimes de interceptação telefônica ilegal e quebra de sigilo fiscal dos irmãos de Vitor, inclusive do ministro.

Após a revista “Veja” divulgar o dossiê em abril, primeiramente através da coluna de Diogo Mainardi e posteriormente em matérias da própria revista, o Ministério Público Federal constatou que o documento não estava no inquérito da Delegacia Fazendária, que apura corrupção nos repasses de royalties. A inexistência do dossiê levou o superintendente da PF no Rio, Angelo Gioia, a abrir novo inquérito.

Em maio, a PF descobriu um pendrive com o falso dossiê, as declarações de renda obtidas ilegalmente e as transcrições de gravações telefônicas. Não se sabe ainda qual jornalsita da revista Veja recebeu o pendrive, mas os policiais identificaram Pinna como o autor.

Por meio de representação à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal, onde tramita o inquérito, foi pedida a prisão do agente, além de busca e apreensão na sua casa e na ANP.

O pedido foi para as mãos do juiz Rodolfo Kronemberg Hartmann, da 2ª Vara Federal, que não analisou o caso, provocando um conflito de competência. Tudo parou até 15 de julho, quando o Tribunal Regional Federal (TRF) decidiu que a competência é da 2ª Vara. Após negar pedido de prisão, Hartmann intimou Pinna a apresentar sua defesa, antes de decidir se aceita a denúncia.

Ontem, procurado pelo Estado, Pinna reclamou da divulgação do caso por conta do segredo de Justiça e depois se apegou na rejeição do pedido de prisão para se defender. Vitor repetiu o que falou na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados: “Quero justiça, saber quem fez essa investigação criminosa, a mando de quem, quem pagou e com qual objetivo.”

Em seu blog, o jornalista Luís Nassif afirma que a lógica deste novo episódio do dissiê contra Martins é a mesma que descreve na série de matérias que desmascaram a revista Veja, especialmente no capítulo “O Lobista de Dantas”. “Primeiro, o lobista passa o dossiê para Diogo Mainardi. Ele escreve, Veja garante o espaço. Não é uma ou duas vezes, é mais que isso, é sistemático”, denuncia Nassif.

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo

 

Matéria de ontem (25) da Folha de São Paulo afirmava que Wilson Ferreira Pinna, autor do dossiê falso, foi nomeado em 2005 pela diretoria colegiada da ANP para o cargo de assessor do diretor-geral Haroldo Lima, tornando-se seu “homem de confiança”. Em carta ao jornal, Haroldo Lima desmentiu as informações.

O diretor-geral afirmou que o jornalista Marcio Aith “não apurou a matéria como deveria”. Haroldo sustentou que  Pinna nunca esteve em seu gabinete nem era seu “homem de confiança”.

O jornal mentiu ainda, segundo o diretor, ao dizer que Pinna “foi recrutado por Lima em agosto de 2005”. Haroldo esclareceu que o araponga, na verdade, ingressou na ANP em 27 de setembro de 2001. A ANP, nessa época, era presidida por David Zylbersztajn, genro do então presidente Fernando Henrique Cardoso. (Leia a íntegra da carta de Haroldo Lima no blog do Azenha)

No Jornal Nacional de sábado (26), o repórter Eduardo Tchao chamou o dossiê de “relatório”. A Globo tentou se justificar por ter divulgado a falsificação. O JN não disse que Pinna foi levado para a ANP pelo genro de FHC. O JN também não disse que Victor Martins é irmão do ministro Franklin Martins. A matéria terminou sem que o telespectador fosse informado sobre o conteúdo do dossiê falso.

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