O blog está de cara e endereço novos: www.embolandopalavras.com.br
Todos os arquivos, incluindo os comentários, foram transferidos pro novo endereço. Este aqui vai ficar noa r por alguns dias, até que todos se acostumem, mas depois será excluído.
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O Embolando está passando por manutenção. Durante alguns dias, ficará sem atualização. Em breve, o blog voltará mais bonito e com a acidez crítica de sempre, pra desembolar as ideias. Até lá.
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A Prefeita Micarla de Sousa (PV), vocês sabem, terceirizou, pela bagatela de R$ 8 milhões, o combate à dengue em Natal. Conforme publicação no Diário Oficial do Municipío (DOM) do último dia 14, a empresa pernambucana ITCI (Instituto de Tecnologia, Capacitação e Integração Social) foi contratada, pelo período de três meses, para realizar ações de combate à endemia na capital potiguar.
Um direto do Sindicato dos Agentes de Saúde (SINDAS-RN) denunciou que a Prefeitura de Natal ignorou os alertas sobre uma previsível epidemia de dengue em 2011 e engavetou o processo para contratação de 150 agentes de endemias via concurso público para favorecer a terceirização. A contratação dos 150 agentes custaria, pelo período de três anos, R$ 4 milhões aos cofres públicos.
Quase duas semanas depois da contratação do ITCI, como informou a Tribuna do Norte, nenhum dos 150 agentes de saúde terceirizados estão em campo. O secretário municipal de Comunicação, Jean Valério, disse à reportagem do jornal que o combate à dengue começaria nesta segunda-feira (25), mas o diretor administrativo do ITCI, Ramon Mello, disse que os agentes sairão à ruas somente na próxima quinta-feira (28).
Enquanto isso, o contrato entre o município e o ITCI virou alvo de investigação do Ministério Público Estadual. Ainda segundo a Tribuna do Norte, o promotor de Justiça da Defesa do Patrimônio Público, Emanuel Dhayan Bezerra de Almeida, instaurou inquérito civil na quinta-feira passada para apurar as denúncias de ilegalidades no processo de contratação da organização social pernambucana por R$ 8.116.675,72.
Apesar da investigação do Ministério Público e do atraso no início das ações, numa demonstração de generosidade extrema da prefeita Micarla de Sousa, o município antecipou o pagamento de 35% do valor do contrato (correspondente a R$ 2,84 milhões) ao ITCI.
Como se não bastasse, mesmo com o circo pegando fogo em Natal, o secretário municipal de Saúde, Thiago Trindade, viajou para passar a semana santa na Europa.
A sensação que tenho é que estamos num barco à deriva. Quando a gente pensa que as coisas não podem ficar piores que estão, Micarla e sua turma conseguem nos surpreender. Onde será que essa nau vai parar?
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Não escrevi nada sobre a tragédia da Escola Tasso da Silveira, no bairro carioca de Realengo, porque fiquei tão desnorteado com aquela brutalidade que não sabia o que dizer. Nessas horas, às vezes é melhor fazer como cantou Paulinho da Viola: “Silêncio, por favor, enquanto esqueço um pouco a dor no peito…“.
Evitei ver as cenas do massacre e ler matérias sobre o assunto. Tudo cheirava a muito sensacionalismo. Preferi oferecer meu silêncio solene e cúmplice em respeito à dor das famílias vitimadas. É pouco, muito pouco, frente à dimensão do luto delas, mas é o que sinto e o que posso compartilhar.
Hoje, lendo o Blog da Maria Frô, vi a homenagem que o jornal O Dia fez aos alunos que voltaram às aulas e às famílias das 12 crianças assassinadas. É, certamente, um lampejo de beleza, ternura e esperança em meio a um episódio tão avassalador.
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Uma pequena matéria postada no site da Folha.com, sobre o desafio que o ex-presidente FHC fez ao seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, convidando-o a disputar outra eleição contra ele, rendeu quase 1200 comentários. Em entrevista a um programa de rádio, FHC mandou o seguinte recado para Lula: ”Ele se esquece que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo.“
O devaneio de FHC, porém, tem pouca — para não dizer nenhuma — importância. O que despertou minha atenção e indignação foi o comentário de um leitor, identificado como Ivo Antonio, prontamente publicado pela Folha.com.
Eleitor declarado do tucano, Ivo se referiu aos nordestinos, em tom pejorativo, como aqueles que “tem (sic) como prato preferido farinha e de sobremesa rapadura” e completou afirmando que, se os moradores dessa região não pudessem votar, FHC derrotaria Lula.
“SE OS QUE TEM COMO PRATO PREFERIDO FARINHA E DE SOBREMESA RAPADURA. NAO PODER VOTAR. E CONTAR MENTIRA.(onde o molusco e imbativel) ABRO APOSTO E DOU 2 POR 1 A FAVOR DO FHC“, escreveu o leitor, que, como se vê, não domina bem as normas gramaticais.
O comentário reflete o velho preconceito que vigora em camadas do Sul e do Sudeste do Brasil contra os habitantes do Norte e do Nordeste. Ele não citou os nordestinos, mas ao mencionar a farinha e a rapadura, dois ingredientes muito usados na culinária regional, deixou explícito a quem estava se referindo.
Particularmente, não considero ofensa ser chamado de comedor de farinha ou de rapadura. Tenho orgulho da minha condição de nordestino, da herança cultural dessa terra e da capacidade de resistência desse povo historicamente esquecido. Não custa lembrar as sábias palavras de Euclides da Cunha, segundo quem “O sertanejo é, antes de tudo, um forte“.
Mas o comentário do leitor da Folha.com nada tem a ver com o reconhecimento da riqueza cultural dos nordestinos — o que inclui os elementos da nossa culinária, com seus cheiros e sabores apreciados por gente do mundo inteiro. Ele destilou preconceito em cada palavra. É o típico pensamento de setores do Sul e do Sudeste que se julgam superiores aos habitantes das demais regiões do país.
Na eleição de 2010, esse pensamento aflorou com força. Inconformados com a derrota de José Serra (PSDB), os conservadores propagaram a falsa tese de que Dilma Rousseff (PT) só teria sido eleita em função dos votos do Norte e do Nordeste. Mas um levantamento com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou que a petista derrotaria o tucano mesmo se fossem computados apenas os votos do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
A xenofobia da elite e da classe média burguesa do Sul e do Sudeste contra os nordestinos não é novidade. Em São Paulo, há um movimento batizado de “SP para Paulistas” que, em manisfesto na internet, defende, entre outros pontos, limites à migração nordestina.
Uma das integrantes do movimento, a estudante de Direito Mayara Petrusco declarou no Twitter, logo após a vitória de Dilma, que “nordestino não é gente, faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado“. A declaração lhe rendeu uma denúncia junto ao Ministério Público Federal, apresentada pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Pernambuco (OAB-PE). Para a entidade, o ato configurava os crimes de racismo e de incitação pública à pratica delituosa, no caso, homicídio.
Outra integrante do movimento, a atendente de suporte técnico Fabiana Pereira, 35 anos, afirmou que “São Paulo sustenta o Bolsa Família”, o que, em sua opinião, contribui para atrair nordestinos para a cidade. “São Paulo sustenta e eles (nordestinos) decidem quem vai nos governar”, declarou a jovem, em entrevista à Terra Magazine.
O próprio José Serra, quando era governador de São Paulo, em entrevista ao SP TV da Rede Globo, chegou a culpar os migrantes nordestinos pela baixa qualidade de ensino em seu Estado.
É lamentável que isso ainda ocorra no Brasil. É igualmente lamentável que políticos utilizem deste artifício para conquistar votos. Mas é ainda mais triste que veículos como a Folha abram espaço para esses xenófobos exalarem seu preconceito.
Deu no tosabendo.com:
FHC comete erro de português em artigo
Diante da grande polêmica gerada pelo artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em que defende a tese de que o que o PSDB deve desistir do “povão” e das “massas carentes e pouco informadas”, um erro de ortografia passou despercebido. Apenas seis dias depois da divulgação, a colunista Mônica Bergamo, da Folha, observou que, ao comentar a situação econômica, FHC diz que “existe -ou existiu até a pouco- certa folga fiscal“. O correto é “existiu até há pouco”, com H, já que o sentido é “faz pouco tempo”. O texto foi distribuído para sites e blogs e também estava no site do PSDB.
Quer dizer que o príncipe dos sociólogos comete erros de português? É incrível. Há algo muito errado no ninho tucano. Aécio Neves tem carteira de habilitação apreendida por dirigir bêbado, FHC derrapando na gramática… O que é isso, senhores? Estão jogando na lama a tradição da nossa elite burguesa?
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Flagrado dirigindo no Rio de Janeiro com a carteira de habilitação vencida, o senador tucano Aécio Neves (MG) teve o documento apreendido e, com a repercussão sobre o assunto, virou um dos temas mais comentados neste domingo no Twitter. A rastag #aeciodevassa ficou em terceiro lugar no ranking dos assuntos mais populares da rede social.
Aécio Neves se recusou a fazer o teste do bafômetro ao ser abordado por uma blitz da Lei Seca, na madrugada deste domingo (17), no bairro do Leblon. O senador pagou multa de R$ 957,70 e teve o carro liberado após chamar um amigo para conduzir o veículo. Em nota, a assessoria do tucano alegou que o ex-governador mineiro não sabia que sua habilitação estava vencida.
O vexame de Aécio Neves, que uma semana antes fez um discurso no Senado Federal e foi ungido pelo PIG como o próximo presidente da República, virou motivo de piada no Twitter. O perfil @Aecio_Devassa foi criado para satirizar o tucano.
O PSDB, partido de Aécio, também virou alvo das gozações na rede social. Num blog, uma enquete perguntava qual o novo significado do partido: Partido do Senador Dirigindo Bêbado, Partido Só Da Birita, Pode Sair Dirigindo Bêbado, Puta Sacanagem Dar o Bafômetro ou Putz, Saí e fui Detido na Blitz?
A Maria Frô fez uma seleção das melhores piadas postadas na rede com o novo líder da oposição ao governo Dilma. Numa delas, a pretensão do senador mineiro de governar o país virou motivo de trocadilho: “Aécio provou que está preparado para dirigir o Brasil“, postou @larissafreitasc.
Além disso, um vídeo antigo, em que o então governador de Minas Gerais aparece fazendo campanha contra motoristas que dirigem após consumirem bebida alcoólica, se voltou contra o tucano. O episódio, como se vê, arranhou a imagem de bom moço cuidadosamente lapidada pelo senador mineiro.