Embolando Palavras

Direitos Humanos: O que a imprensa esconde

24/01/2010 · 1 Comentário

Por Luciano Martins Costa no Observatório da Imprensa:

A imprensa brasileira fez um ótimo serviço ao colocar em debate o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos.

A imprensa brasileira fez um péssimo serviço ao adotar atitude tendenciosa diante do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos.

Essas são as duas posições antagônicas e inconciliáveis que se pode identificar nos comentários sobre o decreto publicado em dezembro e que só foi descoberto pelos jornais na segunda semana de janeiro. No entanto, nenhum jornal ainda mergulhou profundamente na questão. Apenas artigos esparsos, sempre em flagrante minoria em relação às opiniões contrárias, defendem o decreto.

As escolhas da imprensa, destacando textos que condenam tópicos específicos do decreto, estimulam claramente uma visão conservadora sobre uma medida que representa, na sua totalidade, a consolidação de conquistas sociais importantes dos brasileiros.

Para entender e discutir as possíveis distorções, seria essencial oferecer antes um panorama completo do que representam os três programas já apresentados nos últimos quinze anos.

Já se disse aqui que os PNDHs são conjuntos de propostas que trazem a visão do Estado brasileiro – e não de um governo ou grupo político, especificamente – sobre questões fundamentais para a estratégia do país. Essas propostas, em todas as três versões, foram amplamente discutidas em reuniões públicas, desde a primeira delas. Participaram dos debates entidades representativas de movimentos sociais de todos os tipos e tendências.

A partir do 2º PNDH, os debates também aconteceram pela internet. Só não se manifestaram aquelas organizações que, por sua própria natureza, evitam colocar em público a defesa de seus interesses e preferem atuar nos bastidores – ou através da imprensa.

Essas propostas reproduzem e consolidam compromissos assumidos pelo Brasil em acordos internacionais.

Ninguém pode tirar do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – que anda estranhamente calado sobre o tema – a autoria da proposta original, elaborada quando ele ainda era o chanceler, no governo José Sarney.

E desde a primeira versão, o Programa Nacional de Direitos Humanos vem indicando uma tendência que a imprensa tenta agora fazer reverter: a de impor o controle social sobre os meios de comunicação.

Outras questões, como o direito da mulher a dispor de seu próprio corpo, são pontos pacíficos nas legislações dos países desenvolvidos há décadas. Da mesma forma, a necessidade de julgar os torturadores é questão já decidida. Mesmo porque, os opositores do regime militar já foram “julgados”, à maneira da ditadura. Muitos deles foram torturados, alguns até a morte, outros simplesmente executados; há desaparecidos cujo paradeiro ainda não se conhece; milhares foram prejudicados em suas vidas profissionais e familiares.

Para entender os temas realmente polêmicos, que teriam sido contrabandeados para dentro do decreto por militantes ressentidos, a imprensa precisaria antes propor o debate sobre o sentido geral do decreto, coisa que ainda não fez.

Façamos de conta, então, que não existe o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, apresentado pelo atual governo, e motivo de tanta celeuma. Fiquemos com o 2º PNDH, decretado em 2002 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Comecemos pelo capítulo referente à “Garantia do Direito à Liberdade – Opinião e Expressão”, tema tão caro à imprensa nacional. Está escrito lá, no item 101:

“Apoiar a instalação, no âmbito do Poder Legislativo, do Conselho de Comunicação Social, com o objetivo de garantir o controle democrático das concessões de rádio e televisão, regulamentar o uso dos meios de comunicação social e coibir práticas contrárias aos direitos humanos”.

Em seguida, leia-se o item 102:

“Garantir a possibilidade de fiscalização da programação das emissoras de rádio e televisão, com vistas a assegurar o controle social [grifo meu] sobre os meios de comunicação e a penalizar, na forma da lei, as empresas de telecomunicação que veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos”.

No texto introdutório, o então presidente referendava o 1º PNDH, publicado quase seis anos antes, em maio de 1996 – no meio do seu primeiro mandato, diga-se de passagem –, no qual foi criada a orientação geral para a legislação referente aos crimes do regime militar, como a lei 9.140/95, que definiu o reconhecimento das mortes de pessoas desaparecidas em razão de participação política, “pela quais o Estado brasileiro reconheceu a responsabilidade por essas mortes e concedeu indenização aos familiares das vítimas”. Cita ainda, como resultado do 1º PNDH, a lei 9.455/97, que tipificou o crime de tortura.

Preocupada em dar espaço às opiniões mais conservadoras, a imprensa anda escondendo esses detalhes.

Aguarda-se artigo do ex-presidente Fernando Henrique para esclarecer devidamente o assunto.

Comentário

Há pouco conversava com o deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN) pelo Twitter. O tucano insistia na falácia de que o 3º PNDH era mais uma tentativa do governo Lula de controlar a imprensa. O artido de Luciano Martins, ao resgatar o 2º PNDH editado pelo ex-presidente FHC – tucano, como Rogério Marinho – comprova a dissimulação da imprensa e da oposição.

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A nova Bahia e o novo Brasil

24/01/2010 · Deixe um comentário

“(…) Há uma emergência das classes populares, há uma crescente transparência dos gastos públicos, há uma marcha efetiva da democratização dos investimentos públicos. O velho Brasil está sendo ultrapassado. Um novo Brasil está nascendo. Um segmento da intelectualidade tem reagido. Quem lê os jornais pode verificar facilmente que a reação ao governo Lula está na ordem do dia nos escritos de muita gente que tem uma história de esquerda e que se proclama democrata convicto. Lula faz a coisa certa: ignora as reações, realiza. Não entra em polêmicas, apresenta fatos. Fala com os jornalistas, mas fala também direto com a sociedade. É uma comunicação objetiva, inteligente. Desqualifica os seus críticos sistemáticos.

O que é a democracia? Para esses epígonos, conscientes ou não do Brasil do passado, é a tradicional democracia sem povo. Uma democracia crassa. Na Bahia a questão parece ser mais delicada porque nada indica que estejam em jogo questões ideológicas. O problema é mais objetivo: os privilégios que, junto com filhos não pródigos de Henrique II, deixam o palco. Certamente, o caminho correto de uma boa comunicação nesses casos é ignorar os que lutam por privilégios. Responder ao que existe de critica real, objetiva, concreta. Deixar que as viúvas dos privilégios, falem e se cansem de falar.”

Trecho do artigo “Um caso para se olhar com atenção” do jornalista baiano Francisco Viana na Terra Magazine.

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O Haiti

24/01/2010 · Deixe um comentário

No último dia 12, um terremoto de magnitude 7 atingiu a capital do Haiti, Porto Príncipe, deixando 120 mil mortos, segundo estimativas do governo local. O mundo volta os olhos para o país mais pobre das Américas. Tragédia e esperança se refletem nos olhos do menino.

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Dias em off

24/01/2010 · Deixe um comentário

O Embolando passou os últimos dias em off absoluto. Enquanto não conseguir organizar melhor meu tempo as atualizações vão demorar um pouco. Estou pensando em adotar um esquema de escrever dois ou três artigos semanais sobre os assuntos mais relevantes. Acredito que assim dará para manter o blog vivo mesmo com menos postagens.

Então é isso. Vambora que o trem das 11 já vai passar. Inté.

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A direita vence no Chile

17/01/2010 · 1 Comentário

Após 20 anos a direita volta ao poder no Chile. O bilionário Sebastian Piñera derrotou o governista Eduardo Frei nas eleições deste domingo (17) e se tornou o novo presidente do país, interrompendo duas décadas de domínio da esquerda. A frente social-democrata Concertação governava a república chilena desde a queda do ditador Augusto Pinochet, em 1990.

Piñera é o primeiro presidente de direita eleito democraticamente no Chile em 52 anos. Em 1958, o ex-presidente direitista Jorge Alessandri vencera o socialista Salvador Allende.

Mas o que ascenção da direita chilena pode significar para o resto da América Latina? A vitória de Piñera, além de encerrar um ciclo político em seu país, pode indicar que o continente ensaia uma onda reacionária com o retorno dos grupos conservadores. O desgaste da presidente Cristina Kirchner na Argentina e do presidente Hugo Chávez na Venezuela pode dar ainda mais ímpeto aos direitistas.

Para Eduardo Guimarães, presidente da ONG “Movimento dos Sem Mídia”, a direita chilena é a mais perigosa da América Latina. Por isso, considera que a volta da direita naquela faixa costeira encravada entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico é trágica para o continente, principamente agora que os conservadores colocam “as manguinhas de fora por toda parte”.

Uma matéria publicada em dezembro na revista Época revelou a ligação de Piñera com o antigo regime de Pinochet:

A biografia de Piñera se cruza com a história do regime ditatorial de Pinochet em vários momentos. Em 1973, poucos meses antes do golpe que derrubou o socialista Salvador Allende do poder, o jovem Piñera foi para os Estados Unidos, onde cursou mestrado e doutorado em economia pela Universidade Harvard. Casou-se em dezembro daquele ano com Cecília Morel. Três anos depois, regressou ao Chile, em plena ditadura. Usou o dinheiro que recebera do governo boliviano por uma consultoria financeira para abrir sua primeira empresa, a construtora Toltén. Seus negócios deram um salto em 1979, quando Piñera obteve do governo a licença para criar a Bancard, primeira administradora chilena de cartões de crédito – ele venderia a empresa ao Transbank por cerca de US$ 40 milhões em 1989. Apesar de seu pai, José Piñera Carvallo, ter sido um dos fundadores do Partido Democrata-Cristão, de esquerda, Piñera nunca concordou com as plataformas político-econômicas da legenda, que considerava atrasadas.

Piñera tentou se desvincular da imagem de empresário ligado ao regime militar ao declarar publicamente, em 1988, seu voto pelo “Não” no plebiscito convocado por Pinochet para que o povo decidisse se ele poderia concorrer às eleições dali a dois anos. Com a derrota de Pinochet, a direita apresentou como candidato Hernán Büchi. Piñera tornou-se seu chefe de campanha. A candidatura foi derrotada pela Concertação, mas Piñera elegeu-se senador pelo partido Renovação Nacional, que ficou com parte do espólio político de Pinochet. Em sua coalizão, Piñera está rodeado de ex-pinochetistas. Um exemplo é o presidente do Senado, Jovino Novoa, da direitista União Democrata Independente. Novoa foi subsecretário-geral de governo de Pinochet entre 1979 e 1982, um dos períodos mais brutais da repressão.

Em outro trecho a reportagem registra a promessa de Piñera de respeitar os direitos humanos, ao mesmo tempo em que diz que “não vai exacerbar as divisões do passado”, numa referência ao período da ditadura de Augusto Pinochet. Piñera teria se comprometido com ex-militares a não “eternizar” os julgamentos por violação de direitos humanos – qualquer relação com o posicionamento contrário dos direitistas brasileiros ao Programa Nacional de Direitos Humanos não é mera coincidência.

A pergunta que se faz agora é a seguinte: será que o fantasma da direita terá forças para retomar o poder aqui no Brasil? O candidato dos conservadores brasileiros, o governador tucano de São Paulo José Serra, é favorito para vencer as eleições de outubro, segundo todas as pesquisas de opinião até então divulgadas. As chances da direita tupiniquim – representada pelo PSDB e pelo DEM – são enormes.

No Chile, a presidente Michele Bachelet não conseguiu transferir seus 80% de aprovação para o candidato da sua coligação. No Brasil, Lula conta com popularidade recorde, mas sua escolhida para sucedê-lo no cargo, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), ainda patina nas pesquisas de intenção de voto. O prestígio de Lula será suficiente para eleger Dilma? Ninguém ousa arriscar um palpite.

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A baldeação de Marina Silva

14/01/2010 · 1 Comentário

Quando a senadora Marina Silva (AC) deixou o PT para ingressar no PV, petistas denunciaram a manobra: a candidatura à Presidência da República da ex-companheira serviria de escada para José Serra, uma vez que os verdes são aliadíssimos do tucano que governa o Estado de São Paulo.

O PV sempre negou que Marina se submeteria a esse papel, afirmando que a candidatura da senadora era para valer.

Quando Marina escolheu Eduardo Jorge – nomeado secretário de Meio Ambiente de São Paulo pelo então prefeito José Serra (PSDB) e mantido no cargo pelo sucessor Gilberto Kassab (DEM) – para coordenar sua campanha presidencial as especulações aumentaram.

Ontem (13), o deputado federal Fernando Gabeira (RJ) – com o respaldo de Marina Silva – disse que aceita se candidatar ao Governo do Rio de Janeiro por uma aliança PV-PSDB, escancarando de vez que os verdes estarão mais cedo ou mais tarde com José Serra na disputa presidencial.

Transcrevo a seguir a análise da Carta Maior sobre a “baldeação de Marina Silva”:

“Ergue-se no Rio a ponte para a baldeação de Marina Silva rumo à coalizão demotucana; na 4º feira, 13, Serra discutiu os acertos diretamente com o demo César Maia e o verde Gabeira. A travessia de Marina envolve duas etapas: 1º) uma dobradinha PV/PSDB na disputa estadual com Gabeira na cabeça, em troca de uma embaixada em Paris, caso Serra vença as eleições; 2º) num eventual segundo turno da disputa presidencial, a coalizão demotucana seria pincelada de verde, com o apoio explícito de Gabeira e Marina ao tucano paulista”.

(Carta Maior e os rumos de quem deixou o PT pela coerência ética; 14-01)

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O Pitbull de Micarla

11/01/2010 · 4 Comentários

Do Novo Jornal:

PERFIL: Eugênio Bezerra, o polêmico assessor especial da prefeita

Escudo e estilingue

Por Luana Ferreira

Existe alguém no Palácio Felipe Camarão que trabalha para proteger a prefeita Micarla de Sousa de possíveis interferências desagradáveis, comentários maldosos ou  visitas indesejáveis. Enfim, do mundo lá fora. Se você já viu a borboleta nos últimos anos, na prefeitura ou na rua, em campanha ou no cabeleireiro, deve ter notado alguém que a cerca, geralmente segurando sua bolsa, às vezes anotando algumas de suas – muitas – determinações, adaptando o microfone para a sua estatura, abrindo caminho entre as pessoas, oferecendo o chocolate preferido num momento em que o estômago reclama e, principalmente, afastando os jornalistas e fotógrafos que julga inconveniente. Esse alguém é o assessor especial do gabinete da prefeita, Eugênio Bezerra, o “pit bull” de Micarla de Sousa.

Por vezes, a fé cega à borboleta e à administração verde o faz perder a cabeça, e ele transforma o palco imenso da internet em ringue, trava rinhas pessoais com jornalistas que vão contra os mandos da pevista, faz bravatas, chama para briga. Nessas horas, a argumentação pobre, as discussões de baixo nível e os erros de escrita transformam o escudo em munição para os adversários e a prefeita vira alvo fácil: por que Micarla de Sousa confiaria justamente a ele o nobre cargo de assessor especial? Aliás, qual é a função de um assessor especial?

O salário bruto de Eugênio Bezerra é R$ 4.200, mas já foi R$ 9.200 nos primeiros seis meses de gestão, quando era secretário de Assuntos Parlamentares. O cargo foi extinto na reforma administrativa de julho de 2009. Apesar de ter recebido salário de primeiro escalão, nunca teve sala, telefone ou auxiliares nem exerceu a função original de estabelecer a ponte entre o Executivo e a Câmara Municipal de Natal. “Fui para lá porque ela precisava colocar um nome e eu precisava de uma função”, justifica. Até hoje é tratado por secretário por diversos funcionários. De acordo com Roberto Lima, secretário de Administração,o assessor especial do gabinete da prefeita cuida da “comunicação direta através de tecnologias especiais, como a internet”, além de preservar a imagem da prefeita. “Mas isso será mais detalhado quando for publicado um novo regimento interno da prefeitura”, assegura.

Na prática, Eugênio Bezerra cuida da agenda de Micarla de Sousa, elabora o cronograma e administra os eventos da prefeitura, ajuda nos discursos e, claro, carrega a bolsa dela para lá e para cá – o que lhe rende várias piadas, inclusive entre os amigos. Ele não liga.”Não vejo demérito nenhum. Faço qualquer coisa pela prefeita”.

Graças à relação próxima com o poder, se acostumou com pequenas vantagens. Nunca tirou carteira de habilitação, por exemplo, apesar de possuir carro próprio há vários anos.

Entre os colegas jornalistas, ganhou os apelidos de “mucama” e “apupo-ruminante” – este último recentemente, depois de ameaçar as jornalistas Anna Ruth, Eliana Lima (do jornal Tribuna do Norte) e Laurita Arruda (blogueira) após as três escreverem sobre o show de Padre Fábio, que ganhou R$ 221 mil da prefeitura para cantar em Natal em 25 de dezembro. “Vou falar sobre mentiras e verdades. Bom e mal (sic) jornalismo no caso do show de Pe Fábio”, postou no twitter. Em seguida, ameaçou: “Vou falar claro sobre a cobertura da Tribuna. Das coleguinhas (sic) Anna Ruth, abelhinha e Laurita. Alias (sic) sobre esta ultima (sic) tenho um babado forte”.

A frase não pegou bem e Eugênio recuou. “Como Laurita se zangou comigo, resolvi naum (sic) publicar mais minhas opiniões e babados eheheh… deixa pra lá… Não quero ve-la chateadinha”, postou. Depois, justificou no blog. “As (sic) vezes ela exagera e se prescipita (sic). Mas em nenhum momento pedi desculpas a ela ou a quem quer que seja pela minha opinião”. Coincidência ou não, Eliana Lima e Laurita Arruda receberam dias depois flores brancas da prefeita Micarla de Sousa.

Em outro episódio, Eugênio teria trocado acusações no Orkut com o jornalista Alisson Almeida, que foi seu estagiário e depois assessor assistente no gabinete da então deputada Micarla há dois anos. Alisson o provocou ao divulgar o salário dele na comunidade RN Política. Eugênio teria justificado os R$ 9.200 mensais dizendo que “funcionário público que ganha mal ou vai roubar ou desviar”. Ele também teria escrito que como “repórter na equipe de Boechat (jornalista da Band do Rio de Janeiro) ganhava 8 mil reais para trabalhar apenas seis horas”. Eugênio realmente trabalhou na Band do Rio de Janeiro durante um ano, mas como repórter da madrugada, cuja remuneração não passa dos R$ 3.000 de acordo com um funcionário dos Recursos Humanos da emissora.

Ele diz que nessa época teve a sua senha do Orkut roubada e não é autor dos comentários. O episódio fez com que ele trocasse de perfil meses depois.

Alisson Almeida fez um dossiê com as páginas da comunidade (disponível no blog dele, Embolando as Palavras) e divulgou o episódio aos quatro ventos. Em seguida, prestou queixa por ameaças que teria recebido pelo Orkut na Polícia Federal e depois, por telefone, numa delegacia. Eugênio nega tudo. Novamente, a prefeita teria acobertado o fiel escudeiro. “Deixe de arenga com Eugênio”, pediu a Alisson durante um evento.

Na Assembleia Legislativa, quando pela primeira vez teve funcionários sob sua tutela, foi acusado de assédio moral.  “Não me lembro da vez em que ele tivesse argumentos. Era no grito, na truculência ou simplesmente na base do ´eu quero assim´”, lembra um colega. “Ele usa Micarla como escudo”.

Ao receber status de primeiro escalão, começou a destratar os próprios secretários, às vezes deixando-os horas na sala de espera do gabinete ou mesmo impedindo o encontro com a prefeita. “Não iria discutir com um personagem desses, um anônimo”, disse um secretário, sem conseguir dissimular a irritação. Ele teria recebido um empurrão do jornalista.

Certa vez, durante uma entrevista coletiva, Eugênio Bezerra tentou expulsar o fotógrafo Magnus Nascimento da sala porque ele resolveu registrar Micarla Sousa comendo um pedaço de bolo. O resultado foi mais uma vez o inverso: a foto, que nem estava programada para ser publicada, foi estampada com destaque na página do jornal e da internet. Depois, o jornalista reclamou no Orkut, dizendo que a imagem poderia fragilizar a instituição. “Os paparazzi foram responsáveis pela morte de uma princesa”, escreveu.

De origem humilde, vendia bolo da feira

Eugênio é natural de Macau e veio morar em Natal com dois anos de idade. De origem humilde, filho de uma costureira e de um motorista de ônibus, sempre estudou em escola pública. “Meu pai me obrigava a vender bolo na feira e eu fugia para ir à escola”. Tem quatro irmãos, dois deles empregados na GG Tech, que presta serviços à prefeitura. Um dos irmãos foi morto por traficantes há três anos.

Seu primeiro emprego foi aos 14 anos, quando assessorou um vereador de quem não lembra o nome. Nessa idade, sucedeu o ex-vereador Salatiel de Souza na presidência do Grêmio Estudantil Presidente Café Filho da Escola Estadual Winston Churchill, de onde saiu para cursar Edificações na então Etfern (hoje IFRN). Passou no primeiro vestibular para Comunicação Social da UFRN.

Foi “descoberto” pelo produtor da banda Inácio Toca Trumpete enquanto se apresentava no coral da universidade e passou a conciliar o trabalho na TV, a banda – que teve sucesso na cidade e chegou a gravar CD e DVD – e a vida acadêmica. “Ele se sentia muito à vontade no palco. O assédio era geral”, lembra a cantora Karol Pozadski, que dividia o microfone com ele na banda.

Nessa época, mal aparecia nas aulas. “Não lembro destaque em nenhuma disciplina, mas ele se aplicava bastante nas de produção de texto – acho que era porque os melhores eram lidos em voz alta. Era inteligente, mas se achava genial demais para ter que estudar”, comenta um colega de faculdade.

Saiu da banda depois de três anos, mas nunca deixou de cantar em bares e festas que costuma promover na cidade, além de eventos da própria prefeitura. Recentemente formou “A banda do Eugênio” e planeja se apresentar no Carnaval.

Na TV, identificação com Micarla

Foi na TV Ponta Negra, que pertence à família de Micarla de Sousa e onde ela mantinha um programa de debates, que o jornalista conheceu a futura prefeita. A identificação dos dois foi imediata. Para alguns, a borboleta viu em Eugênio a imagem perfeita do pajem que sempre quis ter. Para o jornalista, ela conseguiu “enxergar que havia uma inquietude muito grande e que era um bom profissional”. A fama de truculento, arrogante e briguento se espalhou mais ou menos no ritmo em que Micarla de Sousa galgava as escadas do poder.

Ele foi demitido da TV três vezes, e duas vezes voltou (dizem) pelas mãos da borboleta. Certo dia, Eugênio se negou a fazer uma matéria já no fim do expediente, discutiu com o chefe e chegou a agredi-lo fisicamente, de acordo com testemunhas, e chamá-lo para a briga fora do prédio, segundo ele mesmo. “Ele sempre foi muito difícil. Tinha algumas inseguranças em relação aos outros. Com medo que passassem na frente dele, passava por cima se fosse necessário”, atesta um funcionário da época. Outro colega disse que ele era considerado um repórter criativo, versátil e rápido, mas que “se achava melhor do que todo mundo”.

Depois de sua última demissão, em 2003, novamente por briga, resolveu que era hora de fazer uma especialização, tatuou um escorpião, seu signo, para inaugurar a nova fase e se mandou para o Rio de Janeiro. Não concluiu o curso de Comunicação e Imagem da PUC, como costuma dizer. Fez quatro disciplinas e trancou, deixando para trás várias mensalidades, que hoje custam R$ 498, em aberto. Ele também exagera ao afirmar que ocupou um cargo de direção na CNT do Rio, o que foi negado por uma jornalista antiga de lá. “Talvez ele tenha tirado férias de alguém por um mês”. A sua passagem pela Band, como repórter da madrugada, não marcou a chefe de jornalismo da Band, Alessandra Martins. “Para trabalhar nesse horário, deve-se ter um perfil específico, não pode se intimidar com a violência. Acho que ele era um repórter correto”.

Voltou do Rio de Janeiro em 2005 a convite da prefeita Micarla de Sousa e desde então a segue com devoção quase religiosa.  “Abri mão de mim para ajudar uma pessoa que acredito. Não trabalharia para nenhum outro político na minha vida”, confessou.

Uma tarde com o assessor

A reportagem acompanhou uma tarde de trabalho de Eugênio no gabinete da prefeita.  Às 14h30, de bloquinho e lápis na mão, ele deixou a saleta que divide com mais duas funcionárias para almoçar com Micarla de Sousa no salão nobre do Palácio Felipe Camarão. Visivelmente desconfortável, deixou quase metade do peixe com legumes e arroz ao curry. “É esquisito ser fotografado comendo”. Eugênio estava elegante na camisa listrada azul de gola branca Vila Romana, sapato Zara, calça jeans Calvin Klein e relógio Diesel. Entre uma garfada e outra, anotava as determinações – relacionadas principalmente à agenda – da prefeita, que se prepara para entrar de férias. Não pronunciou palavra.

Depois, de volta à saleta, falou sem parar por duas horas, riu muito, brincou com as colegas atendentes, pegou cadeira para o fotógrafo e atendeu vários telefonemas. Entrou e saiu da sala da prefeita várias vezes –não autorizou a reportagem a segui-lo – e era o único funcionário a fazê-lo. Disse que se sentia capaz de recomeçar caso o projeto político de Micarla de Sousa não vingasse e que não se arrependia de nada do passado. “Faria tudo outra vez”.

Poucas horas antes, escrevera na primeira postagem do dia em seu blog. “Vou avisando. Não adianta ameaçar, xingar, dar indiretas, insinuar ou tentar me intimidar. Isso só me estimula a continuar.”

A pedido do Novo Jornal, um amigo, no caso a jornalista Adriana Keller, e um desafeto, o jornalista Alisson Almeida, escreveram sobre Eugênio Bezerra:

No Capítulo XXIII de “O Príncipe”, Maquiavel aconselha os governantes a se afastarem dos aduladores, “dos quais as cortes estão repletas”. “Não há outro meio de guardar-se da adulação, a não ser fazendo com que os homens entendam que não te ofendem dizendo a verdade; mas, quando todos podem dizer-te a verdade, passam a faltar-te com a reverência”, escreve. Eugênio Bezerra é um desses aduladores a quem Maquiavel chama de “peste”. Assessor mais próximo da prefeita Micarla de Sousa, usa do inabalável prestígio que desfruta para perseguir quem atravessa seu caminho, como fez recentemente ao ameaçar revelar “babados fortes” sobre jornalistas que questionaram os gastos exorbitantes do município com o show do padre Fábio de Melo. Em julho do ano passado, ao participar de uma discussão num fórum do Orkut, o secretário especial da prefeita tentou justificar seu super salário atacando os servidores públicos, a quem chamou de potenciais ladrões. Com a divulgação da declaração irresponsável, reagiu da única forma que conhece – com mais ameaças e truculência. Para EB, quem ousa criticar a administração municipal é imediatamente convertido em inimigo público. A única lei que esse rapaz conhece é a da subserviência.

Jornalista Alisson Almeida

“Eugênio Bezerra é o tal.
O cara que segura todas as ondas, desde uma bronca daquelas sem solução aparente, até simplesmente a mão do aflito. Ele é presente.
Eugênio é um ser apaixonado, que por optar em fazer todas as coisas da sua vida com uma grande colherada de paixão, por vezes acaba por se perder na emoção. Antes assim. Vivo, pulsante e, sobretudo amigo. Já o vi vibrar e já o vi sofrer, mas sempre fazendo a roda girar, sempre movimentando e distribuindo energia gratuita para outros que adoram viver de “gato”.
Impulsivo, emocional, arrogante… Humm! Também é. Temperamental e amoroso como um bom escorpião e como um simples ser humano cheio de qualidades e defeitos.

Eugênio é um grande amigo, um presente que ganhei o qual amo e confio como poucos que encontramos no decorrer da vida. Para mim, ele é necessário. Mas isso interessa pra alguém?”

Jornalista Adriana Keller

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Dessa a mucama não vai gostar…

09/01/2010 · Deixe um comentário

Não percam a edição de amanhã do Novo Jornal. Uma matéria promete mexer com os ânimos da mucama-mor da corte da prefeita Micarla de Sousa (PV).

A prefeita, aliás, parece nunca ter lido os conselhos de Maquiavel em “O Príncipe”: “Não há outro meio de guardar-se da adulação, a não ser fazendo com que os homens entendam que não te ofendem dizendo a verdade; mas, quando todos podem dizer-te a verdade, passam a faltar-te com a reverência”.

Cuidado com a peste dos aduladores que infestam sua corte, prefeita.

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O velho pragmatismo político

09/01/2010 · 1 Comentário

Li uma matéria no JH de ontem (8) sobre a possibilidade de reaproximação entre a governadora Wilma de Faria (PSB) e a prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV). As duas se encontraram numa casa de praia, tricotaram durante quatro horas e saíram dizendo que vão conversar outras vezes para, quem sabe, costurar um acordo com vistas às próximas eleições.

Os políticos gostam de dizer que a política é “dinâmica”. É um eufemismo para justificar a incoerência generalizada dessa turma. Na eleição de 2008, Wilma chegou a dizer que Micarla era uma “boa atriz”, insinuando que a então candidata ao cargo de prefeita da capital era dissimulada. Agora a governadora corteja o apoio da líder do PV à sua candidatura ao Senado, quando disputará uma vaga com os atuais senadores Garibaldi Filho (PMDB) e José Agripino (DEM).

Micarla, naquele mesmo ano, chamou Wilma de “cacique” e “líder do acordão” que apoiou a candidatura da deputada federal Fátima Bezerra (PT). Mas agora a prefeita acena para Wilma e, ao mesmo tempo, declara voto em José Agripino, opositor da governadora. “É preciso deixar todas as portas abertas”, dizem as duas líderes.

É o velho pragmatismo político dando o tom dos conchavos nos bastidores do poder. É o caso de perguntar como ficará o PT – derrotado por Micarla em 2008 – se Wilma se aliar com a prefeita. Vai jogar de vez sua história no esgoto e continuar apoiando Wilma e seu governo Frankenstein?

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Marina escolhe ex-secretário de José Serra para coordenação da campanha presidencial

08/01/2010 · Deixe um comentário

Eduardo Jorge – nomeado secretário de Meio Ambiente de São Paulo pelo então prefeito José Serra (PSDB) e mantido no cargo pelo sucessor Gilberto Kassab (DEM) – vai coordenar a campanha presidencial da senadora Marina Silva (PV-AC).

Para quem não sabe, Eduardo Jorge é um dos fundadores do PT. Deixou o Partido dos Trabalhadores para se filiar ao PV em 2003. A assessoria do secretário confirmou o convite para fazer parte da coordenação da campanha de Marina Silva.

O Portal Vermelho destaca que a escolha de Eduardo Jorge “reforça as especulações de que a candidatura de Marina se tornará uma espécie de linha auxiliar da candidatura tucana à presidência”.

O PV, como era previsível, nega que Marina vá servir de escada para Serra (com perdão do trocadilho), bem como descarta a possibilidade da senadora ser a vice na chapa do PSDB.

Mas o fato é que Eduardo Jorge, mesmo sem se dizer serrista, é homem de confiança do governador tucano e integra o secretariado da administração do DEM em SP. Então, sua escolha para coordenar a campanha de Marina Silva levanta suspeitas perfeitamente críveis, mas, ao mesmo tempo, não nos autoriza a fazer afirmações categóricas.

O jeito é esperar pra ver o que acontece.

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